Título: Foco continua no cenário externo
Autor: Tom Morooka
Fonte: O Estado de São Paulo, 02/05/2005, Economia, p. B4

Decisão do Fed sobre os juros e indicadores nos EUA dividem atenção com os dados da produção industrial, internamente O mercado financeiro vai tocar os negócios com a atenção dividida, mais uma vez, entre os indicadores internacionais e domésticos que serão conhecidos ao longo desta semana. O interesse estará voltado também para a reunião de amanhã do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), que, de acordo com as estimativas, deverá definir mais um ajuste de 0,25 ponto porcentual nos juros. Se confirmada, o juro dos Fed funds deverá ser arredondado para 3% ao ano (ler matéria abaixo). Como o mercado não prevê mudança no ritmo de alta moderada dos juros americanos, a expectativa estará mais voltada aos termos do comunicado que o Fed vai divulgar no término da reunião, comenta o tesoureiro do Standard Bank, Clive Botelho. Fora a reunião do Fed, o foco será os indicadores da atividade econômica nos Estados Unidos e, internamente, os dados de atividade e de inflação, diz Botelho. "O investidor ficou muito mais ligado a dados da economia americana e aos preços do petróleo, depois que a ata do Copom passou a apontar os riscos externos sobre a inflação."

De fato, o mercado financeiro está cada vez mais sensível ao comportamento do mercado internacional, sobretudo das bolsas americanas. "Se os indicadores americanos vierem pouco melhor e a cotação do petróleo permanecer inclinada à queda - o barril fechou abaixo de US$ 50 em Nova York, na sexta-feira, pela primeira vez em dois meses -, as bolsas americanas deverão reagir bem, com reflexos positivos também por aqui." Dentre os dados econômicos que serão divulgados nos EUA, os principais são os referentes à indústria, hoje, e ao mercado de trabalho, na sexta-feira.

Segundo o executivo do Standard Bank, as últimas rodadas de indicadores econômicos (produção e emprego) mais fracos combinadas com sinais de inflação em alta estão provocando certo desconforto nos investidores, pelo temor de que o Fed possa vir a aumentar mais agressivamente os juros americanos em um quadro de desaquecimento da economia.

Internamente, o interesse do mercado estará dirigido à tendência da inflação para maio. Botelho comenta que a pressão sobre a inflação corrente em abril foi um dos fatores que levaram o Copom a decidir pelo oitavo reajuste seguido da taxa básica de juro na última reunião. "A questão é saber se a inflação deste mês vai continuar carregando o resíduo inflacionário de abril", diz, lembrando que, na ata de março, o Banco Central acenara com o possível fim do ciclo de alta em abril, desde que não houvesse sinais de pressão sobre a inflação corrente.

Além das projeções de inflação corrente e futura do mercado que serão conhecidas com a divulgação da pesquisa Focus hoje, os investidores aguardam o anúncio da inflação de abril pelo IPC- Fipe, na quarta-feira, e o IPC-S, na quinta. Outro evento importante, aponta Botelho, será a divulgação dos dados da produção industrial de março pelo IBGE, na sexta.