Título: Telecom Italia quer ficar com a BrT
Autor: Irany TerezaMônica Ciarelli
Fonte: O Estado de São Paulo, 13/04/2005, Economia, p. B3
Grupo anunciou o interesse no negócio horas antes de a Anatel referendar a saída do CVC Opportunity do controle da operadora Algumas horas antes de a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) referendar a saída do CVC Opportunity da Brasil Telecom (BrT), ontem, o presidente do grupo Telecom Italia, Marco Tronchetti Provera, anunciava o interesse em recomprar a participação perdida na operadora brasileira. "Estamos prontos para comprar, em condições convenientes, e definitivamente interessados", disse ele, em teleconferência com investidores, na Itália. A declaração não chegou a surpreender. Quando os fundos de pensão e o grupo Citibank iniciaram a articulação para afastar o banco de Daniel Dantas da gestão da operadora, eles já haviam manifestado interesse em vender a participação na empresa.
O presidente da Funcef (fundo de pensão da Caixa Econômica), Guilherme Lacerda, disse que os investidores vão analisar primeiro a situação das empresas que eram geridas pelo Opportunity, para depois acertar a venda. "Vamos primeiro entrar de fato, para depois decidir a saída", disse, numa referência à falta de informações sobre questões importantes das empresas que controlavam. "Não tínhamos acesso a muitos dados, não sabemos onde nossos recursos eram realocados."
O diretor de Investimento da Previ (fundo de pensão do Banco do Brasil), Luiz Aguiar, também admite o desinvestimento. "É natural o fundo (CVC Opportunity) entrar nessa etapa", disse. Aguiar comentou também que a tendência é de a participação "ser vendida para um operador estratégico, que sempre paga mais", o que reforça a possibilidade de negócio com a Telecom Italia, que integrava o controle da BrT e deixou a empresa em 2002 para investir em telefonia móvel.
Com operadora fixa no Brasil, a empresa estava impedida, à época, de investir em celulares. Saiu com o compromisso de retornar, o que não ocorreu devido a pressões do Opportunity. A reviravolta na empresa, com o Citibank - que até 2004 não apresentava restrições à gestão de Dantas - passando a apoiar o grupo liderado pelos fundos de pensão, a Telecom Italia voltou à carga.
Aguiar não entra em detalhes de como será a saída dos fundos, mas destaca que a intenção da Previ não é deixar por completo o setor de telecomunicações. "É um setor excelente para os fundos de pensão porque gera muito caixa e dividendos", disse. Lacerda, da Funcef, também reitera que a saída não será acelerada: seguirá o curso normal de negociações, para a obtenção de um bom preço.
O fundo CVC tem patrimônio de cerca de R$ 2 bilhões e controla três operadoras: a BrT, Telemig Celular e a Amazônia Celular. Ainda tem participação indireta na Telemar. As outras três empresas controladas pelo fundo são o Metrô do Rio, Sanepar e o terminal portuário Santos Brasil. Juntas, as empresas acumulam patrimônio superior a R$ 10 bilhões.
Ontem, depois de todas as notícias envolvendo o caso - desde a intimação de Dantas para depor na Polícia Federal até a declaração de Provera e o parecer da Anatel - as ações da BrT disparam: os papéis preferenciais (PN) subiram 6,5%, num dia em que a Bolsa de Valores de São Paulo acumulou alta de 1,8%.