Título: Parecer do ministro será favorável à retomada das obras da usina Angra 3
Autor: José Ramos, Leonêncio Nossa
Fonte: O Estado de São Paulo, 15/04/2005, Nacional, p. A8
O ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, anunciou ontem que apresentará um parecer favorável à retomada das obras da usina nuclear de Angra 3. O apoio reforça a posição do ministro da Ciência e Tecnologia, Eduardo Campos, que defende o caráter estratégico da obra, mas estava isolado no Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), onde o assunto está sendo discutido. Em dezembro último, quando estavam sendo debatidos os aspectos econômicos da usina, a ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, manifestou-se contra a obra. Na última quarta-feira, em nova reunião do CNPE, o Ministério do Meio Ambiente também se opôs à conclusão da obra. "Vou produzir um parecer favorável, mas a decisão é do presidente da República", afirmou Dirceu.
Ainda não foi marcada a data da próxima reunião do CNPE, na qual deverá ser definida a posição a ser levada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A posição de Dirceu foi comemorada pelo presidente da Associação Brasileira de Energia Nuclear, Edson Kuramoto, que considera a conclusão de Angra 3 a única maneira de o Brasil preservar a capacitação nuclear e participar do mercado de urânio enriquecido, que já representa US$ 18 bilhões em todo o mundo.
Apenas quatro empresas enriquecem urânio no mundo, hoje. Quando a fábrica de enriquecimento que o Brasil construiu em Resende (RJ) estiver em operação plena, poderá disputar esse mercado. "Resende só vai ganhar escala com as encomendas de Angra 3, e toda a indústria nuclear será viabilizada com o ganho de escala" , afirmou. A principal razão para construir Angra 3, segundo Kuramoto, é estratégica, pois a energia nuclear é uma tecnologia de ponta que está sendo desenvolvida no País.