Título: G-7 elogia política econômica brasileira
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Fonte: O Estado de São Paulo, 17/04/2005, Economia, p. B15
WASHINGTON - Ministros de Finanças dos sete países mais ricos do mundo elogiaram "as autoridades brasileiras por sua hábil condução econômica e bem sucedida cooperação com o FMI", e cobraram do governo argentino um entendimento com os credores que ficaram fora da renegociação da dívida externa. Só esses dois países em desenvolvimento foram citados nominalmente no comunicado de 10 parágrafos emitido após a reunião, ontem cedo, dos ministros e presidentes de bancos centrais de EUA, Canadá, Japão, Alemanha, França, Itália e Reino Unido. É bem-vinda, segundo a nota, a decisão do governo brasileiro de manter suas "fortes políticas sem um programa adicional com o FMI". No dia anterior, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, John Snow, havia feito esse comentário ao ministro da Fazenda do Brasil, Antônio Palocci.
Era esperada uma pressão do G-7 sobre a Argentina. O diretor-executivo da Itália no FMI, Pier Carlo Padoan, já havia dito que o Fundo não está disposto a retomar o financiamento à Argentina sem o acerto com os credores remanescentes.
Horas mais tarde, depois da reunião do Comitê Monetário e Financeiro do FMI, o ministro Antônio Palocci disse à imprensa que uma posição equilibrada havia emergido: continuou-se a exigir da Argentina um esforço de negociação com todos os credores, mas reconheceu-se o avanço já alcançado na reestruturação. Mas não explicou em que esse "equilíbrio" poderia mudar a situação.
A nota do G-7 afirma que o governo argentino deve buscar aquele entendimento em linha com a política do FMI para países devedores em atraso. A maior parte da nota é dedicada aos grandes temas da economia mundial, caracterizada por expansão robusta, inflação ainda controlada e alguns riscos - preços altos do petróleo e desequilíbrios internacionais.
O G-7 insiste em cobrar das grandes economias da Ásia, sem mencionar explicitamente a China, políticas cambiais mais flexíveis. O mantra vem sendo repetido há pelo menos três anos: a China, que acumula superávits de centenas de bilhões de dólares, é acusada de manter a moeda artificialmente desvalorizada, tornando seus produtos ainda mais baratos.
A nota defende também a uma abertura maior dos serviços financeiros na Rodada Doha de negociações comerciais. "Um forte acordo sobre serviços financeiros na reunião ministerial de Hong Kong (em dezembro) atenderá aos melhores interesses da comunidade global", segundo o comunicado.