Título: Tratado envolve 3 grupos de países
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Fonte: O Estado de São Paulo, 04/05/2005, Internacional, p. A13
TNP expõe divergências entre Estados suspeitos, não-alinhados e nações atômicas
Como acontece a cada cinco anos, o Tratado de Não-proliferação Nuclear (TNP), de 1970, subscrito por 189 Estados, começou a ser reexaminado em Nova York. A sessão durará um mês, o que expressa a complexidade técnica e política do problema. Sobretudo neste ano em que graves perigos, talvez iminentes, ameaçam o statu quo nuclear. A Coréia do Norte se retirou do tratado em 2003 e parece a ponto de realizar um teste atômico (ler ao lado). O Irã continua mantendo negociações com a "troika" dos europeus (Alemanha, França e Reino Unido), mas Teerã, decepcionado com as últimas reuniões, anunciou que parte das atividades poderia ser retomada, nesta semana, na usina de conversão de urânio em Ispahan. Conversão é a fase que precede o enriquecimento, isto é, antecede a produção militar. Podem-se distinguir três grupos de países envolvidos. Há os "Estados suspeitos" - em primeiro lugar Coréia do Norte e Irã. Um segundo grupo é constituído pelos países da "coalizão para uma nova agenda" (Brasil, África do Sul, Egito, Irlanda, México, Nova Zelândia e Suécia), e pelos "não alinhados". O terceiro grupo, enfim, é formado pelas cinco potências nucleares do Conselho de Segurança (EUA, China, Grã-Bretanha, Rússia e França).
Ora, os "cinco" não são isentos de críticas. É preciso lembrar: na origem, o TNP se apóia numa barganha entre os "cinco" países dotados da arma atômica e os outros. Os primeiros prometiam reduzir sua capacidade de destruição, enquanto que os segundos se comprometiam a não fabricar armas. A se acreditar nos países que não têm a arma, os "cinco" não teriam feito grande coisa, nos últimos cinco anos, para reduzir os próprios arsenais.
Diante dessa censura, os EUA replicam que um grande caminho foi aberto: até 2012, dizem eles, haverá 80% das ogivas estratégicas e 90% das ogivas táticas menos que no fim da guerra fria. Além disso, gastam US$ 8 bilhões para ajudar os russos a destruírem parte do seu arsenal." Esse orçamento não impressiona os não alinhados que observam que Donald Rumsfeld acaba de pedir ao Congresso para financiar pesquisas para pequenas bombas nucleares. E Bush não abandonou o seu projeto de escudo antimísseis.