Título: Ministro repudia 'inverdades¿
Autor: Elizabeth Lopes
Fonte: O Estado de São Paulo, 19/04/2005, Nacional, p. A4

O ministro Romero Jucá afirmou ontem que "dorme tranqüilo e trabalha tranqüilo", que "renúncia não faz parte do seu vocabulário" e que "a vida política é feita também de injustiças e incompreensões". No início da noite, enquanto sua assessoria, em Brasília, divulgava "nota de esclarecimento" sobre denúncias de irregularidades que o atingem, em São Paulo ele acusou jornalistas - sem citar nomes - de estarem a serviço de parlamentares que lhe fazem oposição. "Existem adversários políticos, existem inclusive parlamentares que efetivamente têm jornalistas contratados fabricando esse tipo de notícia", declarou. "Vários jornalistas têm distribuído dossiês", insistiu Jucá. "Existem sites montados exatamente para me atacar, mas isso não me abala. Estou num cargo público, devo explicações e sempre que for necessário eu darei as explicações."

Questionado sobres quem são os jornalistas, ele se esquivou. "Existem alguns jornalistas que fazem política em Roraima que, efetivamente, inclusive recebem em gabinetes de parlamentares para ficarem atuando contra mim. Mas essa é uma disputa política eleitoral de Roraima e, portanto, eu não quero nacionalizar essa questão."

Jucá reafirmou que nunca chegou a pensar em renúncia. "Não cometi nenhum tipo de irregularidade, nenhum tipo de ação que possa levar a qualquer tipo de arrependimento." Ele disse que o documento entregue à Procuradoria-Geral "não é defesa, é um fornecimento de informações". Repudiou "as inverdades, distorções, calúnias e leviandades publicadas de forma sensacionalista e imprecisa". Afirmou que a transferência de bens para os filhos (casa do Lago Norte, casa de Boa Vista e Fazenda em Roraima) está contida na sua Declaração de Bens (Imposto de Renda). Informou que é legal e regular a atitude de transferir aos filhos, descendentes diretos, bens em nome da família.

O ministro afirmou que a casa do Lago Sul, mencionada na reportagem da revista Época não lhe pertence. Lamentou que a revista "tenha atacado minha família e a mim mesmo". A revista afirma que o patrimônio de Jucá encolheu desde a última prestação de contas à Justiça Eleitoral e que ele passou diversos bens para os filhos com usufruto.

Segundo a nota, o ministro não é proprietário, membro ou dirigente da TV Caburaí e da Fundação Roraima. Jucá admite que destinou recursos para o município de Cantá (RR), mas que a execução das obras ficaram a cargo da prefeitura, responsável pelos convênios. O ministro reclamou da matéria do Estado, "Sem autorização judicial, gravação que envolve Jucá vira arma de defesa". Ele alega que foi envolvido em algo que desconhece. "Não tive acesso às investigações, que seguem sob segredo de Justiça, apesar de ter solicitado aos órgãos competentes por essa investigação a conclusão do inquérito e a quebra do segredo de Justiça."