Título: Jogador desde 1948 se recorda de repressão mais severa
Autor: Laura Diniz
Fonte: O Estado de São Paulo, 22/04/2005, Metrópole, p. C1

Um corretor de imóveis sergipano joga desde 1948, quando chegou a São Paulo. Ele se considera um homem castigado: "Nem sei te contar quantas vezes não ganhei por um número. Mas o jogo também já me salvou de muitas dívidas". O maior prêmio que ganhou foi de R$ 18.500, com o número 1310, que lhe veio por uma "premonição". Quando chegou à capital paulista, a atividade já era proibida, mas nunca lhe faltaram opções para apostar. O governo proibiu o jogo do bicho em 1942, com a Lei das Contravenções Penais.

"Até a década de 1960, ser pego jogando dava prisão no duro, não tinha essa de pagar multa", conta o corretor de imóveis. "Mas, nessa época, eu apostava com um cara que decorava os números das apostas para não deixar rastro. Ele não errava e nunca deixou de pagar um cliente."

Jogador experiente e defensor da legalização da atividade, ele diz que nunca viu banqueiro dar calote em ninguém e que "o jogo do bicho é o negócio mais honesto do Brasil".

A dona de uma banca de bicho, que educou os filhos com o dinheiro da contravenção, não defende a descriminalização. "Sou jogadora compulsiva de bingo e, como estou em tratamento, ando meio perigosa", afirma. "Quando vejo que alguém está jogando demais, digo para parar. Mas é meu ganha-pão."