Título: Lotéricas fazem jogo do bicho em SP
Autor: Laura Diniz
Fonte: O Estado de São Paulo, 22/04/2005, Metrópole, p. C1

Os braços do Estado se esticaram até o jogo do bicho, mas não o golpeiam com fiscalização suficiente, nem punição eficaz. Pelo contrário, a contravenção foi incorporada pelo aparelho estatal. O jogo invadiu as lotéricas da Caixa Econômica Federal, abençoado pela omissão da instituição.

De 23 casas visitadas pela reportagem na capital, 7 aderiram ao negócio (Veja quadro na página 3).

No território estatal da jogatina, ao lado das caixinhas com volantes das loterias da Caixa, há os resultados dos sorteios do bicho, que ocorrem diariamente.

A funcionária pega a aposta do cliente no balcão, entra numa sala e volta com o tíquete do jogo. Em casas menos cuidadosas, a aposta é feita no próprio balcão. A transação é tão rápida e natural quanto qualquer outra que se faz ali.

Em nota oficial, a Caixa limitou-se a declarar que ¿nas visitas habituais à rede Lotérica de São Paulo (SP), estes profissionais (fiscais da instituição) não encontraram jogos ilegais sendo comercializados¿.

CARTÃO MAGNÉTICO

Além de funcionar dentro das lotéricas, em sua sobrevida o jogo do bicho aderiu às novas tecnologias. Com o avanço dos bingos e dos caça-níqueis, os bloquinhos de papel foram substituídos por computadores e equipamentos.

Mas não é só em loterias autorizadas que se modernizou. Em uma loja que imita uma casa lotérica no centro de São Paulo, um banqueiro comemora a facilidade trazida há quatro anos de Uberlândia. Trata-se de uma engenhoca que conquista espaço à mineira nas bancas paulistanas: uma máquina adaptada de leitura de cartão de débito.

O menu é simples: sim ou não para concurso, valor e tipo da aposta. A dez minutos do sorteio, fecham-se as apostas os dados são transmitidos para uma central por uma linha 0800. A máquina já informa se algum apostador que fez jogo ali foi premiado.

O banqueiro fica com 15% do valor líquido das apostas. O resto vai para o bicheiro. Há dez anos, diz uma dona de banca, ela faturava cerca de R$ 30 mil por mês. ¿Mas, com os bingos e os caça-níqueis, nosso negócio está acabando.

Hoje ganho uns 12% disso.¿ As tecnologias adotadas nas bancas variam de bicheiro para bicheiro. O Estado tentou contato com Paulinho Paulinho, Manolo e Ivo Noal, mas eles preferiram não se manifestar.