Título: Viegas vai à Argentina e pede apoio à candidatura do Brasil na ONU
Autor: Ariel Palacios
Fonte: O Estado de São Paulo, 06/05/2005, Nacional, p. A8

BUENOS AIRES - O ex-ministro da Defesa José Viegas garantiu ontem que o Brasil manterá sua candidatura a uma vaga permanente no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) mesmo que a Argentina se oponha. Em Buenos Aires como emissário especial do chanceler Celso Amorim, ele foi bem claro. "É evidente que o Brasil não tem intenção de retirar sua candidatura. Mantemos nossa candidatura. Nós afirmamos nossa candidatura!", disse, em entrevista com os correspondentes brasileiros na Embaixada do Brasil. Nas poucas horas em que esteve em Buenos Aires, Viegas reuniu-se com o vice-chanceler Jorge Taiana para discutir a reforma da ONU. Mais especificamente a ampliação do Conselho de Segurança, para acrescentar seis membros permanentes aos cinco que existem desde sua fundação, em 1945. A expectativa é que a reforma seja definida até setembro. Por isso o governo brasileiro está em plena campanha. Viegas, porém, prefere usar o termo "visita de esclarecimento e busca de convergência".

A passagem por Buenos Aires completou rodada de Viegas por vários países da América do Sul, nos quais expôs os motivos da candidatura brasileira. Segundo ele, o Brasil já tem apoio explícito de Peru, Guiana, Suriname, Equador, Venezuela, Bolívia, Paraguai e Chile. Ainda há resistências de Colômbia, Uruguai e Argentina.

CONTRA

Viegas disse que não teve uma resposta de Taiana, propriamente. "Não houve resposta porque não houve pergunta. O que houve foi uma troca de diagnósticos. Eu não pedi nada aos argentinos. A Argentina é nosso principal parceiro. Espero que venhamos a convergir em algum momento."

Mas a proposta de vaga permanente para o Brasil na CS causa urticária no governo argentino. O próprio presidente Néstor Kirchner considera que isso poderia aumentar a liderança do governo Lula na região - o papel ostensivo assumido pelo Brasil na recente crise no Equador e os elogios do governo americano ao brasileiro tem sido fatores de extrema irritação.

Recentemente, Taiana declarou que uma vaga permanente para o Brasil criaria "um fator adicional de instabilidade", pois "alteraria de forma desnecessária os equilíbrios regionais, ao estabelecer hegemonias que hoje não existem". Ele também alertou a ONU para não sacrificar a "legitimidade e o consenso em nome de interesses individuais." A posição contrária a uma vaga no CS para o Brasil já é tradicional na Argentina. Todos os seu presidentes nos últimos 15 anos realizaram campanha contra essa aspiração do Brasil.