Título: Prefeitura investiga contratos de transporte
Autor: Silvia Amorim
Fonte: O Estado de São Paulo, 10/05/2005, Metrópole, p. C1

A Prefeitura de São Paulo investiga os contratos com a empresa Consladel Construtora, Laços, Detetores e Eletrônica, de São Bernardo do Campo, assinados na gestão Marta Suplicy (PT) para as áreas de transportes e iluminação. Reportagem da revista Veja, publicada neste fim de semana, afirma que a empresa mantém um esquema de propinas com secretários e vereadores. A empresa nega as acusações. O atual secretário municipal de Governo, Aloysio Nunes Ferreira, disse ontem que a Prefeitura não vai cancelar contratos com base em suspeitas, mas informou que já apurava possíveis problemas antes da publicação da reportagem. Segundo ele, há pelo menos quatro procedimentos internos investigando os contratos da Consladel, em três secretarias - Transportes, Finanças e Serviços. Suspeita-se de superfaturamento, fraude fiscal, aditamentos irregulares e serviços pagos, mas não prestados.

A reportagem da revista relata, além de problemas em contratos, a existência de um esquema de pagamento de propina na São Paulo Transporte (SPTrans), na Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e Ilume. Segundo o texto, o dono da Consladel, Jorge Moura, procurou dois integrantes do atual governo para falar sobre o esquema de pagamento de R$ 1,4 milhão para altos funcionários da gestão Marta. Os dois mencionados são o presidente da CET, Roberto Scaringella, e o secretário Aloysio Nunes Ferreira.

Eles teriam sido procurados porque a empresa queria saber como funcionaria o esquema neste governo.

Scaringella e Aloysio negam ter sido abordados para falar sobre pagamento de propina. Os dois afirmaram nunca ter conversado sobre o assunto com o empresário, mas admitiram ter discutido outros temas com o dono da Consladel. Ontem, o prefeito José Serra disse ter tomado conhecimento do assunto por "rumores" e que imediatamente pediu a abertura de uma investigação.

A ex-prefeita Marta negou ontem, por meio de nota, a existência de esquemas de corrupção em seu governo. No texto, ela diz que vai acionar a Veja na Justiça. Segundo a nota, as acusações são "fatos sem provas, sem nenhuma confirmação dos envolvidos".

A ex-prefeita diz ainda que nunca foi "tolerante" com esses atos e ressalta que, em seu governo, foram criados a Ouvidoria-Geral do Município e a lei da Via Rápida - que acelera a demissão de servidores envolvidos em esquemas de corrupção. A nota informa que durante seu governo, cem servidores foram demitidos por esse motivo.

A Consladel também divulgou nota, dizendo que todas as informações são falsas e que vai processar a revista e os jornalistas que assinam a reportagem. A empresa moverá ação civil por danos morais e ação criminal por calúnia e difamação.

Segundo a nota, o texto ataca a honra de Jorge Moura e da empresa. A Consladel diz que vai notificar Aloysio e Scaringella para confirmar se eles deram tais declarações para a reportagem. Na nota, a empresa contesta todas as informações de pagamento de propinas e diz que Moura nunca foi à CET durante a gestão José Serra.