Título: MST reage e diz que ruralistas é que devem ser investigados
Autor: José Maria Tomazela
Fonte: O Estado de São Paulo, 11/05/2005, Nacional, p. A11

Líderes do Movimento dos Sem-Terra (MST) reagiram à decisão do Ministério Público de Goiânia de investigar os gastos do governo estadual e da prefeitura com a Marcha Nacional pela Reforma Agrária, cobrando investigação das dívidas dos ruralistas. O MP abriu inquérito para apurar a legalidade do gasto de mais de R$ 400 mil dos cofres públicos na marcha. Para os promotores de Defesa da Cidadania de Goiânia, o aparato mobilizado pelo MST, incluindo 300 ônibus, trios elétricos e rádio comunitária, descaracterizam o estado de necessidade que justificaria uso de recursos emergenciais, como foi feito. Para a coordenadora nacional do MST e porta-voz da marcha, Rosana Fernandes, o Ministério Público deveria ter igual preocupação com as dívidas dos ruralistas. "Eles tiraram bilhões dos cofres públicos e pedem renegociação. Isso, sim, é calote escandaloso", disse ela Lideranças do movimento vão atender às convocações do MP, se elas ocorrerem, disse a líder. "A estrutura de apoio à marcha é fruto da solidariedade dos companheiros e da sociedade." Segundo ela, grupos de cada Estado se cotizaram e coletaram recursos para fretar ônibus e a maior parte da alimentação saiu dos assentamentos. A rádio foi emprestada pela Associação Brasileira de Rádios Comunitárias e os aparelhos, cedidos pela organização do Fórum Social Mundial. "Recebemos doações de prefeituras e pessoas que nem conhecemos." O presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Luiz Antonio Nabhan Garcia, considerou o pedido de investigação das dívidas uma provocação. "Estamos pedindo a renegociação porque queremos pagar, diferentemente do MST que recebe dinheiro do governo a fundo perdido." Segundo ele, o produtor deu todas as garantias. "Só precisa de fôlego, pois foi vítima das condições climáticas e do cartel dos insumos." Nabhan Garcia disse que o dinheiro repassado ao MST financia invasões. Ontem, no 10.º dia de caminhada em direção a Brasília, os sem-terra avançaram mais 14 quilômetros pela BR-060, acampando no sítio Recanto da Taboca, em Alexânia. O proprietário, Fernando Carvalho Araújo, disse que "cortaram a cerca em dois pontos para entrar com os caminhões." Ele precisou passar o gado para outro pasto. Sua mulher, Neudja Araújo, disse que os sem-terra arrombaram dois cadeados da porteira e estavam nadando em represa usada para abastecimento. Foi a sétima invasão de áreas particulares desde a saída de Goiânia, no dia 2.