Título: Real forte não reduz previsão para balança
Autor: Nilson Brandão Junior
Fonte: O Estado de São Paulo, 11/05/2005, Economia, p. B7

O governo está mantendo a previsão de exportações para este ano, de US$ 112 bilhões (16% acima de 2004), apesar da progressiva valorização do real. Segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), Luiz Fernando Furlan, o dólar prejudica alguns setores, mas o câmbio está sendo compensado por outras áreas. Ele também informou que este mês o governo vai enviar ao Congresso medida provisória com propostas de desoneração fiscal, na área industrial e de serviços. Furlan explicou que o governo já tem pronto um projeto que prevê a suspensão total de impostos para plataformas de exportação de serviços, principalmente de software e tecnologia de informação. Em paralelo, está sendo finalizada outra proposta, para a desoneração de impostos federais para projetos industriais que tenham pelo menos 80% da produção voltada ao exterior.

O ministro afirmou que há projetos voltados à exportação da Thyssen Krupp (Rio) e Baosteel (Maranhão), ambos em parceria com a Vale do Rio Doce (Maranhão), além da Veracel (Bahia) e citou que um tema comum aos investidores é "esta peculiaridade da legislação brasileira que tributa os investimentos, embora gere crédito". As empresas acabam buscando recursos em banco para financiar os impostos, que produzem crédito de difícil compensação no futuro.

Furlan disse que já falou com os presidentes da Câmara, Severino Cavalcanti, e do Senado, Renan Calheiros, para "estabelecer um canal de boas vindas a estas medidas". As iniciativas foram detalhadas pelo ministro depois de participar do 16.º Fórum Nacional, no Rio. Em entrevista, ele também comentou que as projeções de crescimento de exportações não foram alteradas.

Ele explicou que há setores que estão revendo suas exportações para baixo, compensados por outros que indicam crescimento. Furlan afirmou que setores como calçados, confecção, autopeças e automotivo estão perdendo rentabilidade, inclusive com cancelamentos de vendas externas. O governo, diz ele, tem consciência disso e está procurando minimizar esse impacto em cima de fatores que geram custo para as empresas.

Furlan preferiu não responder qual seria o nível de cotação mais adequado às exportações. Informou que o câmbio vai ser compensado por um aumento de US$ 2 bilhões a US$ 3 bilhões nas vendas de minério de ferro (em razão dos preços), avanço das exportações de soja no segundo semestre e cotações melhores do café, açúcar e suco de laranja. No acumulado de 12 meses até maio, as exportações devem chegar a US$ 105 bilhões.

A Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) concorda com a visão do ministro. Segundo o vice-presidente da entidade, José Augusto de Castro, o mercado interno não está com a demanda aquecida, o que leva as empresas a exportar. "Agora, 2006 é a dúvida, realmente. As empresas têm saúde financeira para vender com prejuízo por algum período, mas não eternamente", disse Castro. Para ele, a meta de US$ 112 bilhões para 2005 é factível.

AVANÇO CHINÊS

Durante a palestra, o ministro comentou que "o País deve estar pronto a dar respostas positivas aos recentes avanços da China e da Índia bem como dos demais países do Sudeste Asiático". Ele explicou que esses países vêm conquistando espaço com produtos cada vez mais sofisticados em conteúdo tecnológico. Segundo Furlan, os países asiáticos estão superando a fase da imitação e "estão entrando fortemente na fase da criação". "Isso reforça a necessidade de acelerarmos as nossas iniciativas tanto no âmbito do governo quanto da iniciativa privada."