Título: Legião estrangeira é simpática ao movimento
Autor: José Maria Tomazela
Fonte: O Estado de São Paulo, 15/05/2005, Nacional, p. A4
Alguns ligados a causas sociais, jornalistas, escritores e TVs registram e admiram o evento
J. M. T.
SAMAMBAIA (DF) - Os jornalistas e documentaristas que acompanham a marcha vêem o Movimento dos Sem-Terra (MST) com simpatia. Uma equipe da Turquia com cinco integrantes prepara documentário para a CNN turca. O escritor e jornalista Metin Yetsin, de 42 anos, pretende escrever, com a colaboração dos colegas, mais um livro sobre o movimento. Ele já é autor de um livro abordando o MST e o movimento zapatista do México. A equipe da rede de televisão KBS, da Coréia, acompanha a marcha há três dias com três jornalistas e, segundo o intérprete Sum Kim, eles não escondem a admiração pela organização do movimento. Os coreanos incluíram a marcha na série de reportagens que estão produzindo sobre os dois anos e meio do governo Lula. O presidente brasileiro deve visitar o país asiático no próximo dia 23.
O físico e documentarista italiano Mário Alemi, de 34 anos, também é simpatizante declarado do MST. Ele está no Brasil desde fevereiro e se propôs a realizar um trabalho de inclusão digital para o movimento. Como jornalista, escreve artigos sobre a marcha para periódicos Il Manifesto e Carta. Ele destaca a organização e a disciplina dos sem-terra na busca da realização de um sonho. No ano passado, Alemi fez um documentário sobre o trabalho escravo no País. Segundo ele, o povo italiano tem enorme interesse pelos movimentos sociais como o dos sem-terra brasileiros.
Os seis italianos estão integrados na marcha e dormem no acampamento, sob as barracas, ou nos ônibus. Os jornalistas estrangeiros têm credenciais para entrar e ficar no acampamento mesmo quando o acesso é negado para colegas brasileiros. Padres alemães e líderes de sem-terra paraguaios também estiveram na marcha.
O MAIS VELHO
Sem-terra legítimo, pai de assentados, Luiz Beltrami de Castro, perto de fazer 97 anos, marcha sem a esperança de ter o lote. "Não tenho mais idade", diz o mais velho integrante da marcha. Nascido em 1908, no interior de São Paulo, trabalhou em fazendas de gado, algodão e café, mas mora com o filho no assentamento de Promissão.
"O Lula tem de dar um jeito de fazer o que prometeu e não fez", cobra. Pai de 8 filhos, 47 netos, 67 bisnetos e 8 tataranetos, ainda se acha em condições de trabalhar. "Posso tirar leite." Já o sem-terra Jocélio Dantas de Souza, acampado há dois anos em Mossoró (RN), não pode trabalhar. Atacado pela paralisia infantil, vive numa cadeira de rodas. "Se receber o lote, ponho a mulher para trabalhar nele."