Título: No rádio, casal Garotinho ataca juíza
Autor: Roberta Pennafort
Fonte: O Estado de São Paulo, 15/05/2005, Nacional, p. A10
Os programas de rádio da governadora Rosinha Matheus e de seu marido, o presidente regional do PMDB, Anthony Garotinho, foram usados ontem para atacar a juíza da 76.ª Zona Eleitoral de Campos, Denise Appolinária, que, na sexta-feira, decidiu pela cassação dos direitos políticos de ambos até 2007. A magistrada foi acusada de ser ligada ao PT e de tentar impedir Garotinho de concorrer à Presidência da República, no ano que vem. A assessoria de imprensa do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) afirmou que a juíza não comentaria as declarações. "Ninguém que conhece a juíza vai negar que ela seja simpatizante do PT. Ela tem subido em caminhão e feito discurso", disse o ex-governador. "Ela devia voltar para a faculdade." Ele classificou a sentença de "ato de terrorismo" e de "panfleto eleitoral" e afirmou que Denise Appolinária vinha anunciando "pelos corredores do fórum de Campos" que iria "pegar o Garotinho". "Eu poderia ter pedido a suspensão da juíza para ser julgado por outro juiz, mas confiei que ela tomaria uma decisão justa."
Entrevistado do programa de Rosinha, o secretário de Integração Governamental, Luiz Rogério Magalhães, chegou a dizer que a juíza foi influenciada por integrantes do governo Lula. "Com certeza ela foi respaldada por autoridades federais", sustentou Magalhães. "Há grandes forças envolvidas nisso, para negar o direito de Garotinho de concorrer à Presidência."
PERSEGUIÇÃO
Rosinha disse que a juíza agiu de má-fé. "Para se vingar, porque foi obrigada a cassar o prefeito (Carlos Alberto Campista, do PDT, que concorreu com o candidato do PMDB, Geraldo Pudim, também tornado inelegível), ela apresentou uma sentença contra mim e o Garotinho", criticou. Ela reafirmou que "não tem nada a esconder". "Confiamos em Deus, no povo e na Justiça." E disse que vem sofrendo perseguição política, assim como o marido, há muito tempo - segundo Garotinho, isso se deve à opção do casal "pelo povo".
A governadora esclareceu que os programas sociais considerados eleitoreiros pela juíza - o Cheque Cidadão, que paga R$ 100 por mês a famílias carentes, e o Morar Feliz, que dá casas pagas com prestações simbólicas de R$ 1 - são antigos e não existem só em Campos, mas em todo o Estado do Rio. O advogado do casal, Luciano Nóbrega, vai recorrer da decisão amanhã.
Na noite de sexta-feira, um oficial de Justiça de Campos localizou, na capital, o presidente da Câmara Municipal, Alexandre Mocaiber. Ele enviou documento por fax notificando Mocaiber de que ele deveria assumir a prefeitura. O vereador assinou o papel por volta das 22 horas, tornando-se prefeito de Campos, até que novas eleições sejam realizadas.