Título: Light propõe reestruturar dívida de R$ 1,77 bi
Autor: Irany Tereza
Fonte: O Estado de São Paulo, 18/05/2005, Economia, p. B11

RIO - A Light, distribuidora de energia elétrica do Rio de Janeiro, deve receber do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social em torno de R$ 700 milhões para p seu processo de capitalização. Ontem, a companhia informou à Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) ter apresentado novas propostas de reestruturação aos bancos credores, alongando uma dívida total de R$ 1,773 bilhão. A medida faz parte do rol de exigências do BNDES para liberar o empréstimo. A empresa informou, ainda, que pretende emitir debêntures conversíveis em ações no valor de R$ 767,2 milhões. Estes papéis, provavelmente, serão subscritos pelo banco na operação de capitalização. Na semana passada, representantes da Light reuniram-se com diretores do BNDES para acertar os detalhes do financiamento, segundo fontes do banco.

Agora, o resultado do acordo com os credores deve ser apresentado ao banco para análise do financiamento.

O prazo para liberação de recursos do programa de apoio ao setor elétrico, lançado pelo governo no segundo semestre do ano passado, termina em 30 de junho, mesma data de validade das propostas apresentadas pela Light a seus credores, com alternativa de prorrogação por 60 dias. Nesse período, os bancos deverão informar se aceitam ou não o projeto de readequação da companhia. Hoje, diretores da Light darão detalhes sobre a reestruturação.

O programa de capitalização às distribuidoras de energia elétrica - lançado pelo governo para ajudar as empresas a repor perdas impostas, entre outras coisas, pela redução de receita durante o período de racionamento de eletricidade - ofereceu ao setor R$ 3 bilhões. As exigências básicas feitas pelo BNDES eram a reestruturação de dívidas bancárias e a adequação das empresas às normas de governança corporativa.

Em torno de 8 empresas, das mais de 60 operadoras do País, inscreveram-se no programa, mas nenhuma delas deu prosseguimento às negociações com o banco. Um empréstimo de R$ 800 milhões chegou a ser aprovado para a Neoenergia, holding controladora de distribuidoras do Nordeste, mas a empresa desistiu da operação. Na época, o presidente do banco, Guido Mantega, comentou que a desistência das empresas era sinal de que o setor conseguiu se recuperar sem a necessidade da verba oficial.