Título: Para Bornhausen.'mesada' põe Congresso sob suspeita
Autor: Gilse Guedes
Fonte: O Estado de São Paulo, 17/05/2005, Nacional, p. A4
O presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), defendeu a criação de comissão parlamentar de inquérito (CPI) para apurar denúncias de irregularidades na Empresa de Correios e Telégrafos (ECT) com argumento de que a suposta prática de pagamento de "mesada" a parlamentares põe, mais uma vez, o Congresso sob "suspeita". "Não se trata de uma CPI da oposição, mas de uma CPI do Congresso. Todos os homens e mulheres de bem têm o dever de assinar", afirmou o senador. "As denúncias estão se repetindo. Precisamos saber se há realmente algum partido recebendo mesada de estatais", afirmou. O vice-líder do PSDB, senador Álvaro Dias (PR), foi à tribuna do Senado para ler nota da liderança do partido pedindo a instalação da CPI. Segundo ele, ontem mesmo o partido daria início à coleta de assinaturas de 27 senadores e 171 deputados, necessárias para apresentar requerimento de CPI à Mesa do Congresso.
"Como diz o líder Arthur Virgílio: não vale o governo Lula investigar o governo Lula. Já vimos esse filme, especialmente no caso Waldomiro Diniz. Por isso, denúncias gravíssimas como essas têm de ser investigadas pelo MP e pelo Congresso", disse Álvaro Dias.
Na ofensiva para tentar enfraquecer o movimento pró-CPI, o líder do PT no Senado, Delcídio Amaral, na tribuna, classificou de "graves" as denúncias de prática de corrupção por funcionários dos Correios, mas argumentou que, neste caso, não cabe CPI. "As pessoas citadas já foram afastadas. O governo foi ágil e o presidente dos Correios já instaurou comissão de inquérito", discursou.
O líder do PMDB, senador Ney Suassuna (PB), também saiu em defesa do governo. "Estão tentando usar um tsunami para resolver uma marola numa bacia", disse Suassuna em entrevista. Em discurso, Suassuna disse que estava saindo em defesa do governo numa posição confortável, já que, dia 9, uma semana antes da divulgação das denúncias, havia pedido ao líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), que fosse demitido o diretor de Recursos Humanos dos Correios, Robson Viana.
Citado como integrante de suposto esquema para contratação de uma empresa pela estatal, Viana ocupa o cargo por indicação de Suassuna. Segundo o senador, o pedido não está relacionado às denúncias.