Título: Para proteger correligionários, PMDB ameaça ressuscitar a CPI do Waldomiro
Autor: Christiane Samarco
Fonte: O Estado de São Paulo, 19/05/2005, Nacional, p. A5

Desnorteados com a súbita criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar denúncias de corrupção nos Correios, dirigentes do PMDB começam a traçar a estratégia para preservar o partido e os peemedebistas que comandam a empresa. Se o governo e o PT não forem "corretos" com o PMDB na CPI, diz um dirigente da legenda, o partido ameaça ressuscitar outra CPI que poderá atingir diretamente o governo: a do caso Waldomiro Diniz, o ex-assessor do ministro da Casa Civil, José Dirceu, flagrado ao pedir propina a um empresário de jogos. A cúpula governista do PMDB programava para ontem à noite uma reunião para discutir os cenários possíveis, as alternativas do partido na CPI e quem seriam os melhores perfis para representar a legenda. Mas, antes mesmo de o encontro começar, já se sabia que seria contaminado pela crise de desconfiança que pauta a relação da legenda com o Planalto.

É esta crise que está provocando o temor de que setores do governo e do PT tentem incriminar os peemedebistas da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) para abreviar a CPI que terá seis meses para concluir as investigações. Afinal, raciocinam os peemedebistas, a CPI só poderá ser encerrada depois de apurar um crime e produzir uma vítima.

Ninguém tem dúvidas no PMDB de que o mais prejudicado com a CPI será o próprio governo, até porque a cultura política é a de que não existe inquérito favorável a nenhum governo. Mas boa parte da legenda avalia também que a ofensiva da oposição e a defesa feita na véspera pelo presidente nacional do PTB, deputado Roberto Jefferson (RJ), citando nominalmente o líder peemedebista no Senado, Ney Suassuna (PB), pôs o PMDB sob suspeita.

Jefferson é o principal implicado nas denúncias, mas um dirigente do partido destaca que o mais grave da "lama" que o petebista jogara da tribuna sobre os peemedebistas da ECT é que o PMDB é majoritário no colegiado que comanda a estatal.

Enquanto o PTB tinha apenas uma diretoria e o PT, duas, o PMDB indicara os outros três dirigentes dos Correios, inclusive o financeiro. E, segundo o peemedebista, os padrinhos das indicações de seu partido são o líder Suassuna, o senador Hélio Costa (PMDB-MG), e o ministro das Comunicações, deputado Eunício Oliveira (PMDB-CE).

Se as decisões passavam pelo colegiado de seis diretores, em caso de empate o voto de Minerva caberia ao presidente, o peemedebista João Henrique de Almeida. Assim, ao menos na teoria o PMDB é o principal responsável por tudo o que acontece na ECT.