Título: 'Na escola, gerir é educar'
Autor: Renata Cafardo
Fonte: O Estado de São Paulo, 23/05/2005, Vida&, p. A13

Na escola, gerir é educar. É o que diz o educador português João Barroso, professor catedrático da Universidade de Lisboa e especialista em gerenciamento e administração pública. Barroso elaborou estudos para o Ministério da Educação de Portugal que deram origem a uma lei de autonomia e gestão das escolas. Ele esteve no Brasil semana passada no 12.º Congresso Internacional de Educação (Educador) e falou ao Estado sobre a tendência também européia de valorizar a ação pedagógica no trabalho do diretor de escola. Como a Europa vê o papel do diretor de escola pública hoje?

Se fala muito na Europa que o diretor não pode apenas exercer uma função administrativa. A idéia do diretor burocrático está totalmente afastada, hoje ele precisa ter liderança, entender de gestão de recursos humanos, negociar. Mas o grande desafio é que ele consiga construir um projeto educacional. O diretor é um gestor de situações educativas. Na escola, gerir é educar.

A autonomia da escola é essencial para melhorar o trabalho do diretor?

É preciso, sim, ter autonomia para trabalhar bem. O diretor não pode ser uma espécie de representante do secretário, do ministro da Educação. Costumo dizer que a escola tem de diminuir sua dependência vertical, que é o governo, e aumentar a sua dependência horizontal, a comunidade.

A eleição com a participação da comunidade é o método ideal para escolha do diretor?

Não há um modelo ideal. Acho importante a el eição quando a comunidade escolar está preparada para isso. É um direito que precisa ser conquistado. A eleição pode dar confiança, mas não dá necessariamente competência. Em Portugal e na Espanha, se faz eleição e os eleitores são representantes dos professores, pais, alunos. Na França e na Itália, existe um concurso nacional. Há ainda comissões mistas que escolhem o diretor no Reino Unido e na Dinamarca.

A Europa está também capacitando seus diretores para serem gestores modernos?

Por muito tempo se achou que os melhores professores seriam os bons diretores. Mas é preciso uma capacitação especial. Na França, é exigida uma formação prévia para assumir um cargo de direção. Em Portugal, a capacitação é feita durante a gestão.