Título: Mantega pede flexibilidade ao CMN na meta de inflação
Autor: Paula Puliti
Fonte: O Estado de São Paulo, 24/05/2005, Economia, p. B5

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Guido Mantega, sugeriu que o Conselho Monetário Nacional (CMN) adote uma posição mais flexível em relação à meta de inflação para 2007. Em reunião no Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), ele lembrou que o Brasil é um produtor de commodities e, por isso, é obrigado a vendê-las a preços internacionais. Ao mesmo tempo, os preços administrados não sofrem influência direta da taxa de juros. "Esses dois fatores (commodities mais preços administrados) refletem uma pressão de preços que não pode ser controlada simplesmente pelo mecanismo de juros", afirmou. O presidente do BNDES acredita que alguns setores da economia vivem no momento um processo de acomodação, típico de ciclos econômicos, após 15 meses seguidos de crescimento. "É natural que haja um arrefecimento das taxas de crescimento."

Ele admitiu que os juros altos podem, de fato, atrapalhar o nível de atividade industrial, mas manifestou a esperança de que as taxas estejam praticamente em seu limite de alta e que caiam a partir de agora. De toda forma, ressalvou, a combinação juros/câmbio ainda não chegou a comprometer o crescimento da economia em geral, que deve ficar em torno de 4% este ano.

PARCERIAS

Mantega informou que em setembro o governo lançará os primeiros editais das Parcerias Público-Privadas (PPPs), acrescentando que o BNDES está preparado para apoiar os projetos, fundamentais para o País crescer e exportar . Ele disse que a capacidade de investimento do setor público é muito baixa, mas a economia mundial vai continuar a crescer e o Brasil precisa estar preparado para acompanhar esse movimento

Mantega acrescentou que, em junho, o BNDES criará uma linha de crédito pré-aprovada para empresas que já têm pelo menos cinco anos de relacionamento com o banco. A linha, de até R$ 900 milhões, será voltada para a ampliação de produção das empresas já cadastradas.

Quanto ao Banco Santos, que está em liquidação extra-judicial, Mantega disse que o BNDES fez uma provisão de R$ 300 milhões, considerando a possibilidade de não receber uma parte das linhas de financiamento a exportações repassadas ao setor privado pela instituição.

Segundo Mantega, havia o equivalente a R$ 1 bilhão em aberto de créditos repassados pelo Banco Santos, mas o BNDES já obteve garantias de recebimento de 70% do montante.

Os participantes da reunião pediram a ampliação do prazo de pagamento de dividas das empresas que tinham recursos aplicados no Banco Santos. Os empresários alegam que as instituições agentes do BNDES condicionam o repasse de crédito do banco de fomento a aplicações em títulos dos próprios bancos privados.

Em resposta, Mantega afirmou que o BNDES pode até levar em conta as dificuldades de alguma empresas que tinham recursos no Banco Santos, mas disse que, "francamente, não pode criar uma regra única em relação a esse problema, até porque a responsabilidade é das próprias empresas". E disse que o BNDES e o Banco Central estudam a criação de normas para moralizar a ação dos agentes repassadores de recursos (cerca de 90 bancos privados).