Título: Desemprego fica estável e renda volta a cair
Autor: Alberto Komatsu
Fonte: O Estado de São Paulo, 26/05/2005, Economia, p. B4

A taxa de desemprego ficou estável em abril em 10,8%, um contingente de 2,4 milhões de desocupados nas 6 regiões metropolitanas pesquisadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi exatamente o índice de março, mas a renda média dos trabalhadores caiu 1,8%, após 3 meses seguidos de recuperação. Os resultados preocupam os técnicos do IBGE, que esperavam desempenho diferente. "É uma situação que podemos denominar como preocupante", disse o coordenador da Pesquisa Mensal do Emprego do IBGE, Cimar Azeredo. Para ele, a perda de 97 mil empregos na indústria extrativa e de transformação de São Paulo (foram 100 mil vagas a menos ao todo) e a queda no rendimento também tiveram grande influência no resultado. "Pelo histórico do comportamento da taxa, sem considerar fatores externos, a expectativa era de o desemprego ceder um pouco, o que não se efetivou em função do calendário."

Azeredo disse que o fato de o carnaval e a Páscoa terem sido antecipados este ano prolongou o emprego em setores como o comércio e a indústria, o que se refletiu na manutenção da taxa de desemprego em março e abril. Na comparação anual, porém, o número de desocupados teve redução de 2,3 pontos porcentuais, já que em abril de 2004 a taxa havia ficado em 13,1%. O rendimento dos trabalhadores, por sua vez, avançou 0,8 ponto porcentual na mesma análise.

A renda caiu em todas as regiões metropolitanas analisadas (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Porto Alegre e Recife) tanto para os trabalhadores com carteira de trabalho assinada quanto para os sem registro, comparando-se abril com março. No primeiro caso, o recuo foi de 2,6% e, no segundo, de 3%. Ante abril de 2004, o mesmo comportamento foi observado para os empregados registrados, com diminuição de 2,6%. Já entre as pessoas sem carteira, houve aumento de 4%.

"A variação negativa de 1,8% (na renda) pode ser explicada pela inflação de 0,8% no período (pelo INPC das 6 regiões) e pela perda de postos de trabalho na indústria, em grande parte de trabalhadores com carteira assinada, que têm um rendimento maior."

O rendimento médio foi de R$ 938,70 em abril. Em relação a março, houve queda em São Paulo (3,3%), Rio de Janeiro (1,1%), Salvador (1,5%) e Porto Alegre (1,5%). No Recife e em Belo Horizonte, a renda cresceu 4,8% e 1,4% respectivamente. Na comparação anual, a renda cresceu 1,5% em São Paulo, 9,8% em Recife e 5,2% em Belo Horizonte. Nas demais regiões houve redução, com destaque para o Rio de Janeiro (1,9%). "O aumento dos juros e os problemas com a exportação, por causa do câmbio, são fatores externos que, associados ao calendário, podem ser responsáveis pela instabilidade na taxa de desocupação."

A comparação mensal mostra que houve estabilidade no desemprego em quase todas as 6 regiões metropolitanas da pesquisa, que respondem por quase 30% da população ocupada do País. Na análise anual, destaque para as quedas do número de desempregados em São Paulo (de 14,5% para 11,4%) e Rio de Janeiro (10,7% para 8,6%).