Título: Grupo ligado ao MST é suspeito de desviar verba
Autor: Gilse Guedes
Fonte: O Estado de São Paulo, 25/05/2005, Nacional, p. A12
A quebra de sigilo bancário permitiu à CPI da Terra encontrar indícios de que verbas federais destinadas à reforma agrária teriam sido usadas de forma irregular por uma entidade ligada ao Movimento dos Sem-Terra. De acordo com os dados obtidos pela CPI, a Associação Nacional de Cooperação Agrícola (Anca) gastou R$ 400 mil para o pagamento de planos de previdência privada do Bradesco para dois de seus dirigentes. Os beneficiários foram o secretário-executivo da Anca, José Trevisol, e a tesoureira da associação, Selma Aparecida dos Santos. Trevisol iria prestar depoimento ontem à CPI, mas não compareceu alegando ter outro compromisso. Para buscar novos dados que comprovem o uso indevido dos recursos públicos, o presidente da CPI, Álvaro Dias (PDT-PR), o vice-presidente, Onyx Lorenzoni (PFL-RS), e o deputado Abelardo Lupion (PFL-PR) apresentaram requerimentos para quebra do sigilo bancário e fiscal de José Trevisol, de Selma Aparecida, do presidente das Cooperativas de Reforma Agrária do Brasil (Concrab), Francisco Dal Chiavon, de três office-boys da Concrab (Emerson Rodrigues, Edmilson José de Pinho e Orlando Vieira de Araújo), da coordenadora do núcleo de Saúde da Anca, Gislei Siqueira Knierin, e da Sociedade Editorial Brasil de Fato.
Na sessão de ontem da CPI, seriam ouvidos ainda o presidente da Concrab e dos três office-boys da entidade, mas eles não apareceram nem justificaram suas ausências. De acordo com Álvaro Dias, a Anca, Concrab e a Sociedade Editorial Brasil de Fato recebem recursos federais para a reforma agrária e repassam ao MST.
Com base na abertura das contas bancárias das pessoas citadas, os integrantes da CPI querem confirmar a informação de que a Anca e Concrab receberam entre 2001 e 2004 cerca de R$ 10 milhões do governo federal. Álvaro Dias disse que as pessoas que não foram ouvidas ontem serão novamente convocadas.