Título: Embraer deve levar contrato de US$ 234 mi
Autor: Roberto Godoy
Fonte: O Estado de São Paulo, 30/05/2005, Nacional, p. A6

A aviação militar da Colômbia vai definir em 15 dias a compra de 24 aviões Super Tucano, brasileiros, nas versões de ataque leve e treinamento. O valor do negócio é de US$ 234 milhões. Em novembro de 2002, o Estado revelou que o governo dos Estados Unidos interferiu no processo e impediu a compra direta dos turboélices produzidos em Gavião Peixoto, no norte do Estado de São Paulo. A operação, ajustada pelo ex-presidente Andrés Pastrana, foi cancelada por seu sucessor e atual presidente, Álvaro Uribe.

A documentação da tomada internacional de ofertas convocada pelo governo será entregue em 15 de junho no Ministério da Defesa, em Bogotá.

É grande a possibilidade de que a Embraer, fabricante do turboélice, seja a única empresa a cumprir as exigências de prazo - e a estar presente na última etapa do procedimento de aquisição - nos termos da audiência preliminar realizada em 15 de março.

Outros quatro grupos internacionais interessados decidiram não participar da etapa final. Na semana passada, os quatro denunciaram, em carta encaminhada ao presidente Uribe, um eventual favorecimento ao candidato do Brasil, o Emb-314 Super Tucano.

Segundo o jornal El Tiempo, o documento é assinado pelos representantes da Aerovodochody, da República Checa; da Kai, da Coréia do Sul; da Catic, da República Popular da China, e da Avione Kraiova, da Romênia. Teria havido manifestações de descontentamento também das organizações americanas Lockheed-Martin e Raytheon.

"As objeções envolvem pontos nebulosos", disse ontem ao Estado o congressista colombiano Germán V. apontando para a questão dos prazos - que, de acordo com os consórcios concorrentes, só a Embraer poderia cumprir - e da configuração do sistema de armas, cuja especificação só poderia ser atendida pelo Super Tucano.

PREÇO

A inclusão de jatos leves no pacote da avaliação e seleção, o que favoreceria a empresa do Brasil a contar do preço, é outro fator de desagrado. Um jato militar leve custa entre US$ 13 milhões e US$ 18 milhões, enquanto a cotação de um turboélice, como o Emb-314, varia de US$ 5 milhões a US$ 9 milhões, conforme a configuração desejada, os sistemas eletrônicos e arranjos especiais.

Apesar das restrições feitas pelas quatro indústrias aeronáuticas, Gérman não acredita que o ministro da Defesa, Jorge Alberto Uribe, venha a congelar o procedimento de escolha "sustentado pela lei de segurança que permite à administração firmar contratos de interesse da defesa nacional por compra direta ou com a participação de apenas um candidato à encomenda".

PODER DE FOGO

A situação da aviação de ataque da FAC é crítica. Estão em uso apenas sete aviões, a maioria em situação crítica de manutenção. Duas esquadrilhas empregam oito jatos A-37 Dragonfly, treinadores adaptados, exauridos depois de 35 anos de uso contínuo e apenas dois velhos OV-10 Bronco, veteranos da guerra do Vietnã, revisados há cerca de 12 anos.

Na semana passada, durante a operação binacional Colbra, realizada na Amazônia, o capitão colombiano German Fernandez executou um ensaio de interceptação com o novo Super Tucano da FAB.