Título: Rio receberá R$ 40 mi para preservar florestas
Autor: Clarissa Thomé
Fonte: O Estado de São Paulo, 28/05/2005, Vida&, p. A18

RIO - O Rio receberá R$ 40 milhões para a preservação da mata atlântica. O Estado detém um dos maiores porcentuais de remanescentes desse tipo de floresta - 17% de área. Perde apenas para Santa Catarina, que preservou 17,3% das matas de seu território. O dinheiro é parte de um convênio entre os governos brasileiro e alemão e será usado ao longo de quatro anos. O anúncio foi feito ontem, Dia da Mata Atlântica, pelo presidente do Instituto Estadual de Florestas (IEF), Maurício Lobo. "Nos últimos anos, o Estado ganhou área de floresta, mas perdeu em qualidade, segundo levantamento da Fundação Cide (Centro de Informações e Dados do Estado). Isso quer dizer que perdemos mata primária e ganhamos mata secundária, de reflorestamento. A intenção é usar essa verba para preservar melhor a mata primária", afirmou Lobo.

Os recursos serão investidos em recuperação ambiental, instalação de unidades de conservação, fiscalização e monitoramento, prevenção e combate a incêndios nas 12 unidades de proteção integral sob administração do IEF. Entre as áreas que receberão parte dos recursos estão o Parque da Serra da Concórdia, no sul do Estado, o Parque de Três Picos, na região serrana, e a Estação Ecológica de Guaxindiba, no norte fluminense. São as três unidades mais recentes do Estado.

"Guaxindiba, por exemplo, era conhecida como Mata do Carvão. Ela foi reduzida a menos da metade nos últimos 15 anos e é de fato o último remanescente da mata atlântica do norte do Estado. Dos 7 mil hectares restaram 1.800", relatou Lobo.

O presidente do IEF disse ainda que parte do dinheiro será usada para equipar os grupos de prevenção a incêndio. O Estado já adota sistema de notificação preventiva. Fiscais do IEF vão a propriedades rurais, locais em que há o costume de queima do pasto, e a favelas, onde a população incinera o lixo, e alertam quando a umidade relativa do ar está baixa e há risco maior de incêndio para florestas.

Essa medição hoje é feita manualmente. A intenção de Lobo é ter estações meteorológicas em cada unidade sob administração do instituto.

De acordo com ele, a notificação preventiva permitiu a redução da área perdida a cada ano por causa de queimadas. Foram 1.240 hectares em 2002, ante 35 em no ano passado.

O acordo entre Brasil e Alemanha prevê que o banco alemão KfW repasse R$ 23 milhões. A contrapartida do governo fluminense é de R$ 17 milhões. O Rio é o sexto Estado a ser contemplado no acordo entre os dois países. Os outros Estados são Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Minas.