Título: Repórteres da 'Time' e 'NYT' podem ser presos
Autor: Paulo Sotero
Fonte: O Estado de São Paulo, 01/06/2005, Internacional, p. A12

Se Richard Nixon tivesse se arrependido a tempo em sua tentativa de acobertar a participação de assessores da Casa Branca, teria tido a lei a seu lado para forçar o repórter Bob Woodward, do Washington Post, a revelar a identidade do Garganta Profunda.

Ironicamente, data de 1972, o ano inicial do episódio do Watergate, a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, no caso Brazenburg versus Hayes, que retirou dos jornalistas a proteção que eles julgavam ter, ao abrigo da Primeira Emenda da Constituição, para preservar a confidencialidade de suas fontes em investigações criminais.

Segundo John Watson, professor da Escola de Comunicação da American University e especialista nas leis que afetam a imprensa nos EUA, a melhor a analogia é com o caso atual de Matthew Cooper, da revista Time, e Judith Miller, do New York Times. Os dois correm o risco de ir para a cadeia se continuarem a resistir à intimação judicial de revelar os nomes do funcionário ou funcionários da Casa Branca que vazaram a identidade de uma agente da CIA a um colunista conservador.

Identificar agentes secretos em público é crime federal nos EUA.

"Woodward nunca foi alvo de um processo ou intimação judicial no episódio Watergate, mas se o governo tivesse sido capaz de acioná-lo na Justiça por uma razão legítima e insistido em saber a identidade do Garganta Profunda, o desfecho provavelmente não teria sido diferente do que será para Cooper e Miller, pois a lei é clara", disse Watson. Para que isso acontecesse, porém, Nixon teria que ter encerrado a tempo a manobra de obstrução de justiça e abuso do poder que foram sua perdição.