Título: Tanure aumenta oferta pela Varig
Autor: Mariana Barbosa
Fonte: O Estado de São Paulo, 01/06/2005, Economia, p. B18

O empresário Nelson Tanure fez uma nova oferta para a Fundação Ruben Berta (FRB) para a aquisição do controle da Varig. Dono do Jornal do Brasil e da Gazeta Mercantil, Tanure teria ampliado de US$ 90 milhões para US$ 190 milhões sua oferta, segundo fontes ligadas à empresa. As primeiras negociações do empresário com a FRB se tornaram públicas em março, depois que as duas partes participaram de uma reunião com o vice-presidente e ministro da Defesa, José Alencar. A proposta teria sido engavetada com a mudança no comando da Varig, sob a liderança de David Zylbersztajn, presidente do conselho de administração, e Henrique Neves, presidente-executivo. Não só o novo conselho nunca se reuniu com Tanure como, pouco depois de assumir, em 7 de maio, anunciou um memorando de entendimentos dando exclusividade à portuguesa TAP.

Com investimentos no setor naval e de mídia, Tanure tem uma fortuna avaliada em meio bilhão de reais. O empresário é uma figura polêmica e ganhou notoriedade por adquirir empresas em situação pré-falimentar sem contudo se responsabilizar por suas dívidas. Contra os jornais JB e Gazeta, abrigados na empresa Companhia Brasileira de Multimídia, recaem centenas de processos trabalhistas, mas nem mesmo os acordos judiciais são cumpridos.

O reforço da proposta de Tanure surge às vésperas de a TAP anunciar os detalhes de sua oferta para a Varig, o que está previsto para acontecer até o início da próxima semana. Ontem, executivos da TAP passaram o dia reunidos na sede da Varig. O presidente da empresa portuguesa, Fernando Pinto, juntamente com Zylbersztajn e Neves, tentam marcar para amanhã audiências com José Alencar e os ministros da Casa Civil, José Dirceu, e da Fazenda, Antonio Palocci.

A proposta da TAP esbarra na falta de capital - e a Varig enfrenta sérios problemas de fluxo de capital. A TAP tenta atrair outros investidores, mas não tem recursos próprios para investir, uma vez que é uma estatal e Portugal já ultrapassou o limite de endividamento do setor público estabelecido pelo Banco Central Europeu.

VASP

A Vasp continua sob intervenção judicial até que cumpra a primeira parte do acordo firmado na última sexta-feira no Tribunal Regional do Trabalho em São Paulo, quando se comprometeu a pagar, até o fim de julho, salários atrasados, rescisões trabalhistas e compromissos com a Previdência e com o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Pelo acordo, a empresa deveria ter apresentado até às 13 horas de ontem uma carta de fiança do Banco do Brasil (BB) garantindo um depósito de R$ 40 milhões. No lugar da carta, a empresa apresentou, no meio da tarde, um protocolo de pedido de carta de fiança.

A assessoria do TRT não informou o nome do banco que assina o protocolo. O BB negou que esteja emitindo qualquer carta de fiança para a Vasp. No setor, comenta-se que a carta seria do BicBanco, instituição da qual a Vasp é cliente antiga. O juiz da 14.ª Vara do TRT, Homero Batista da Silva, entendeu, contudo, que a empresa tem intenção de cumprir o acordo e decidiu pela extensão do prazo.

Além da fiança, a Vasp tem até sexta-feira para pagar salários atrasados, uma conta estimada em mais de R$ 40 milhões. Se o acordo não for cumprido, a Justiça poderá apreender os bens da Vasp e de seu controlador Wagner Canhedo, que continuam indisponíveis.