Título: Exportação perde vigor, mostra estudo
Autor: Marcelo Rehder
Fonte: O Estado de São Paulo, 03/06/2005, Economia, p. B5

As exportações dos produtos de maior valor agregado são as primeiras a sofrer os efeitos do câmbio baixo. Levantamento feito pela LCA mostra que a quantidade (quantum) de produtos industrializados exportados em maio caiu 0,6% em relação ao mês anterior, já descontadas as diferenças sazonais. Foi a terceira queda consecutiva neste comparativo. Em abril, o recuo foi de 2,4%, e em maio, de 0,4%. Mas, o movimento tem sido compensado pelo aumento dos embarques de produtos básicos e semimanufaturados. "Estão olhando os números recordes da exportação, sem prestar atenção na perda de competitividade dos manufaturados", diz o economista Carlos Urso, da LCA Consultores. No mês passado, as exportações atingiram US$ 9,8 bilhões - recorde para meses de maio, com alta de 23,3% sobre igual período de 2004.

Os dados com ajuste sazonal, porém, revelam perda de dinamismo das vendas de manufaturados, na comparação mensal. Em maio, perderam fôlego principalmente calçados, móveis e aparelhos receptores e transmissores - basicamente aparelhos celulares, que ganhavam espaço no mercado internacional nos últimos meses. Para a consultoria, a desaceleração dos industrializados preocupa, principalmente porque esses produtos respondem por 55% das vendas externas do País. Os básicos representam 30% e os semimanufaturados, 15%.

Segundo relatório do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o valor médio diário de exportações de aparelhos de receptores e transmissores caiu 32,7% em maio ante abril. Entre os calçadistas, essa média recuou 1,5%. No setor de móveis, a queda foi de 0,4%.

Boa parte das empresas continua ampliando as vendas externas, ainda que sem margens de lucro. A Black & Decker, fabricante de ferramentas e eletrodomésticos, exportou o equivalente a US$ 16 milhões nos últimos cinco meses, 30% a mais do que em igual período de 2004. "Quebramos recordes, mas com resultados abaixo do suportável por muito tempo", diz o diretor industrial Domingos Dragone. Os contratos são anuais e os preços foram baseados em câmbio de R$ 3,10 a R$ 3,20.

"Estamos trocando seis por meia dúzia para sobreviver, sem uma margem que possibilite o aumento de capital de giro necessário para o correspondente aumento das vendas", afirma Daniel José Windholz, diretor da Indústria de Madeiras JCF, pequena empresa exportadora de Canoinhas (SC).