Título: PMDB só fica na base aliada se governo formar coalizão
Autor: Christiane Samarco
Fonte: O Estado de São Paulo, 08/06/2005, Nacional, p. A6
A demissão do presidente e dos três diretores dos Correios indicados pelo PMDB foi comunicada ontem de manhã ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), durante uma "conversa institucional" com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto. Reunida em seguida, a cúpula governista do PMDB concluiu que o partido pagou boa parte da conta da crise. Mas não protestou. "Não vamos mais brigar por cargos porque esse governo acabou", reagiu um peemedebista ligado a Renan.
Com a cabeça mais fria, a cúpula peemedebista amenizou o discurso. "O momento não é de fazer indicações, mas de deixar o presidente à vontade para não gerar a ele nenhum constrangimento", pregou o deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), ao destacar que "bastam os constrangimentos que setores do PT criaram para ele".
Mas a avaliação foi de que a crise encerra o primeiro ciclo do governo Lula, fundado na supremacia do PT. É hora, dizem os peemedebistas, de "zerar o jogo" e reformar o ministério com a renúncia dos ministros.
Os mais fiéis representantes da ala governista ainda defendem a tese de que o PMDB deve seguir na base governista, sob pena de desestabilizar o Executivo e contaminar a economia com a crise política. Mas o único cenário em que consideram possível a permanência do PMDB na base aliada e no ministério é num governo de coalizão, montado a partir da renúncia coletiva dos ministros.
Não é a primeira vez que Renan e o ex-presidente José Sarney (PMDB-AP), que também foi ao Planalto ontem cedo, sugerem ao presidente que articule a renúncia do ministério e monte uma nova equipe. Quando estourou o escândalo dos Correios e a oposição articulou a criação da CPI, a cúpula do PMDB levou esta idéia ao Planalto. Seria uma forma de facilitar a operação do governo para derrubar a CPI. A esta altura, porém, não há mais como impedir que o inquérito seja aberto e a CPI funcione.
Renan contou ter recomendado a Lula que fizesse "absolutamente tudo" para preservar seu governo e sua biografia.