Título: Ibovespa cai, mas não há pânico
Autor: Mario Rocha e Lucinda Pinto
Fonte: O Estado de São Paulo, 08/06/2005, Economia, p. B11

A crise política continuou a fazer estragos nos mercados. O Ibovespa caiu de novo, desta vez 2,07%, mas não há um clima de pânico na Bolsa paulista. Os juros futuros continuam projetando a manutenção da Selic na próxima reunião do Copom. O dólar e o risco país subiram (ver página B1). Segundo um operador, "se a crise não pegar o Lula nem o Palocci e não atingir em cheio os investimentos estrangeiros, o mercado continuará volátil, mas sem um pânico generalizado. É o que está acontecendo, mas ninguém descarta a possibilidade de o quadro mudar. Por isso, o mercado vai continuar pisando em ovos". Uma melhora no cenário externo chegou a reduzir o impacto do tiroteio político sobre a Bovespa, mas as Bolsas em Wall Street perderam fôlego - o Dow Jones subiu só 0,15% e a Nasdaq caiu 0,41%. O movimento financeiro foi de R$ 1,669 bilhão.

As maiores altas do Ibovespa foram de VCP PN (1,44%), Aracruz PNB (1,20%) e Eletropaulo PN (1,12%). As maiores quedas foram de Copel PNB (6,34%), Embratel Par PN (5,85%) e Tele Leste Celular PN (5,46%).

O mercado de juros demonstrou que as perspectivas de curto prazo estão preservadas, apesar da crise. A curva continua projetando estabilidade do juro básico na próxima reunião do Copom. O contrato de julho carregava um prêmio compatível com uma alta de 0,10 ponto porcentual na Selic na reunião da semana que vem, confirmando que a maioria prevê que a taxa não será elevada. E o leilão de títulos públicos, apesar da oferta reduzida, teve resultados dentro do consenso.

O Tesouro Nacional vendeu integralmente os lotes de LTNs (prefixadas) ofertados. A oferta foi menor do que na semana passada, provavelmente porque o Tesouro se adequou à demanda apurada junto ao mercado na véspera. Foram vendidos 1 milhão de LTNs com vencimento em 1.º/1/ 2006 à taxa média de 19,74%; 1,5 milhão de papéis para 1.º/10/2006 à taxa média de 18,66% e 300 mil títulos para 1º/7/2007 à taxa média de 18,17%.

A reação à crise fica mais visível na curva longa de juros, especialmente no contrato de janeiro de 2007, o mais líquido, e que absorveu boa parte das apostas otimistas do mercado nas últimas semanas. Ele está absorvendo parte do clima de apreensão que se formou por causa das denúncias de corrupção.