Título: Iraque afinal aprova governo
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Fonte: O Estado de São Paulo, 09/05/2005, Internacional, p. A9

Mas um dos ministros indicados recusa o posto, discordando do critério de seleção por etnia ou religião

BAGDÁ - A Assembléia Nacional (Parlamento iraquiano) aprovou ontem os nomes dos seis últimos ministros que faltavam ser incluídos no governo, mas um dos indicados recusou o posto alegando não concordar com a divisão dos cargos com base na etnia e religião. Pela proposta encaminhada pelo primeiro-ministro, o árabe xiita Ibrahim al-Jaafari, quatro dos seis ministros seriam árabes sunitas e dois, xiitas. Indicado para a pasta de direitos Humanos, o sunita Hisham al-Shibi afirmou ter sido escolhido meramente para aplacar a minoria sunita. "Fiquei surpreso ao ser nomeado só por ser sunita. Sou um democrata, completamente contrário ao sectarismo", disse. A recusa de Shibi é uma amostra das fortes divisões no governo que agravam o quadro de instabilidade no Iraque.

As outras nomeações foram para ministérios importantes, como o do Petróleo e da Defesa. Para a Defesa Jaafari indicou o sunita Saadoun al-Duleimi, um ex-tenente no Exército do ex-presidente Saddam Hussein, com origem numa tribo poderosa na Província de Anbar, a região de mais forte resistência ao governo. Duleimi deixou o país em 1984 e viveu no exílio até a queda de Saddam. Jaafari espera agora que Dulaimi consiga pôr fim à rebelião em Anbar.

O xiita Ibrahim Bahr al-Uloum será o ministro do Petróleo - cargo-chave num país que tem a segunda maior reserva de petróleo do mundo. Jaafari argumentou que a demora para formar o ministério era necessária porque seu objetivo é representar todos os setores da sociedade.

Desde a aprovação do governo pelo Parlamento, no dia 28, mais de 300 iraquianos foram mortos em uma sucessão de atentados com carros-bomba, emboscadas, ataques de franco-atiradores e massacres. O principal alvo dos rebeldes são a Guarda Nacional iraquiana e a polícia, mas um grande número de civis tem sido vítima de atentados ou massacres. Ontem, num atentado suicida em Mossul, norte do Iraque, vários policiais iraquianos ficaram feridos, muitos com gravidade.

As forças de ocupação dos EUA também voltaram a registrar um grande número de baixas. Somente neste fim de semana, sete soldados americanos foram mortos em ataques com bombas e dezenas ficaram feridos.

Ontem as forças iraquianas anunciaram a captura, na sexta-feira, de Amar al-Zubaydi, que seria um importante colaborador do extremista islâmico jordaniano Musab al-Zarqawi, o líder da rede terrorista Al-Qaeda no Iraque.