Título: Até outubro, taxa começará a cair, prevêem os analistas
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Fonte: O Estado de São Paulo, 16/06/2005, Economia, p. B1

O Banco Central (BC) deve iniciar a redução da Selic entre agosto e outubro, de acordo com a projeção da maior parte dos analistas financeiros. A aposta principal é setembro. Há quase um consenso de que os objetivos antiinflacionários do duro ciclo de aumento da Selic, iniciado em setembro passado, estão praticamente garantidos. Mas há divergência sobre os efeitos do aperto monetário sobre o PIB de 2005 e 2006. Luiz Fernando Figueiredo, ex-diretor do BC e sócio e principal executivo da empresa de gestão de recursos Mauá, prevê que o PIB crescerá só 2,5% em 2005. Para 2006, ele acha prematuro fazer uma previsão precisa, mas estima algo em torno de 3%. O economista avalia que o BC poderia até iniciar a redução da Selic em agosto, caso os índices de inflação até lá sejam bastante benignos, ou então esperar um pouco mais, e realizar cortes mais fortes, de até um ponto porcentual, nas reuniões mensais do Comitê de Política Monetária (Copom).

"O BC acabou esperando haver um impacto na inflação corrente para interromper o ciclo de alta", diz Figueiredo. Como existem defasagens entre as decisões do Copom e seus efeitos sobre a economia, raciocina ele, o banco teria se atrasado, o que pode levar a movimentos mais fortes de redução dos juros. Ainda assim, ele continua, por causa das defasagens, o ciclo de redução de juros provavelmente só terá impacto sobre o PIB de 2006.

Nílson Teixeira, economista-chefe do Crédit Suisse First Boston (CSFB) no Brasil, tem uma visão otimista quanto ao PIB deste ano. Para ele, o crescimento deve ficar em 3,4%, caindo para 3% em 2006. O CSFB prevê que o BC cortará 1,25 ponto porcentual da Selic até o final do ano, com a taxa básica fechando 2005 no nível de 18,5%.

Ao contrário de Figueiredo, Teixeira não vê excesso de conservadorismo na ação do BC desde setembro do ano passado. Para o economista, "o crescimento de 3% é razoável para o padrão brasileiro dos últimos anos". Na sua visão, o BC está certo em baixar a inflação para dar mais previsibilidade à economia, o que tende a elevar o investimento e consumo doméstico, e deve aumentar o ritmo de crescimento. Este é, porém, um processo de médio e longo prazo, para Teixeira.

Uma visão ainda mais otimista é a do Departamento de Pesquisas do Bradesco, que antecipa um corte de 2,25 ponto porcentual da Selic até o final do ano. E, na esteira deste afrouxamento monetário, um crescimento de 3% em 2005, mas que se acelera em 2006 para um nível próximo ao de 2004 (4,9%).

Alexandre Pavan Póvoa, diretor do Modal Asset Management, empresa de gestão de recursos baseada no Rio, procura esfriar os ânimos quanto à possibilidade de que o BC comece logo a reduzir a Selic, e o faça de forma acelerada. Para Póvoa, em termos teóricos, olhando o modelo de metas, já haveria condição de baixar a taxa em setembro. Mas, dada a postura altamente conservadora do BC nos últimos meses, é difícil crer que o atual nível da Selic seja mantido por apenas dois meses. "É muito prematuro falar em queda dos juros", ele diz.