Título: Garreta nega oferta de R$ 4 milhões ao PPS
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Fonte: O Estado de São Paulo, 18/06/2005, Nacional, p. A12

Apontado como interlocutor da oferta de R$ 4 milhões para comprar o apoio do PPS à ex-prefeita Marta Suplicy (PT), em junho de 2004, o ex-secretário municipal de Abastecimento e Projetos Especiais, Valdemir Garreta, negou ter feito qualquer tipo de proposta ao presidente do PPS em São Paulo, Carlos Fernandes, e ao então tesoureiro do partido, Ruy Vicentini. Ele disponibilizou seus sigilos fiscal, bancário e telefônico de 2004 e, na terça-feira, apresentará queixa-crime contra Vicentini, autor da denúncia. "Nunca encontrei nem o senhor Carlos Fernandes, muito menos o sr. Vicentini. Essas denúncias são um total absurdo", declarou, antes de participar da reunião do Campo Majoritário, principal tendência do PT. "Meus advogados vão pedir à Polícia Federal abertura de investigação porque eu gostaria de aproveitar essa oportunidade para colocar esse denunciante calunioso na cadeia."

Segundo Garreta, homem-forte do governo Marta, está "comprovado" que Vicentini "é uma pessoa de absoluta falta de caráter". Ele ressaltou que o ex-tesoureiro já foi preso por contrabando de remédio falsificado. "Eu gostaria de pedir à imprensa, como está cada vez mais caracterizado com a reputação desse senhor, que a gente precisa ter ética na política e também na cobertura (jornalística) para evitar que as pessoas sejam colocadas em situações constrangedoras como eu fui."

Ele destacou, ainda, que a denúncia foi desmentida pelo próprio Carlos Fernandes e pelo presidente estadual do PPS, deputado Arnaldo Jardim. Não atribuiu a acusação a ninguém - "espero que a Justiça explique" - e negou ter participado de qualquer negociação com o PPS para a votação de projetos na Câmara ou de apoio à reeleição de Marta. "Quem tratou da aliança política foi o presidente municipal do PT, deputado Ítalo Cardoso." Ele admitiu ter encontrado dirigentes do PPS no comitê da ex-prefeita e no ato promovido pelo deputado federal João Herrmann Neto (SP) em defesa da candidatura petista. À época, Herrmann rachou com a maioria do partido, que decidiu aliar-se ao PSDB de José Serra. O deputado, hoje no PDT, teria concordado em apoiar o PT sob os mesmos argumentos: R$ 4 milhões. Garreta também negou o suposto acordo. "Aceito detector de mentira, tomo até soro da verdade."

O ex-secretário chegou à reunião do Campo Majoritário acompanhado de Rui Falcão, com quem formava o núcleo duro da gestão Marta. Ex-secretário de Governo, Falcão também definiu a denúncia como absurda. "É preciso acabar no Brasil a idéia de que todos são culpados até que se prove sua inocência", insistiu Garreta.