Título: Medo leva petróleo para perto dos US$ 60
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Fonte: O Estado de São Paulo, 18/06/2005, Economia, p. B9
Em uma trajetória que, segundo especialistas, deve chegar aos US$ 60 por barril, o preço do petróleo bateu ontem mais um recorde e fechou o dia sendo negociado a mais de US$ 58. Outra vez, o motivo foi o temor de que falte combustível. Na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex), os contratos futuros de petróleo para julho fecharam em US$ 58,47 o barril, alta 3,34%. Os contratos chegaram à máxima de US$ 58,60, superando o recorde de US$ 58,28 atingido em 4 de abril.
O petróleo para dezembro também alcançou máxima recorde de US$ 60,40 o barril, o que indica que o mercado está preocupado com a oferta de petróleo no final do ano.
Em Londres, na Bolsa Internacional de Petróleo, os contratos futuros do Brent para agosto chegaram a US$ 57,95, superando a máxima recorde também do dia 4 de abril, de US$ 57,57. Os contratos fecharam em US$ 57,92, avanço de 3,02%.
"Este mercado tem sido guiado pelo medo de escassez de oferta no futuro e medo de que a demanda supere a produção no quarto trimestre", disse o gerente de derivativos de energia da corretora Arc Oil LLC, Anthony Lerner.
Na semana, o petróleo em Nova York acumula alta de mais de US$ 5. "Há muitos fatores que elevam os preços: a demanda global persistentemente alta, as dúvidas sobre o aumento de produção da Opep e os temores sobre a capacidade de refino", explicou o analista Muhammad-Ali Zainy, do Centro de Estudos Energéticos Globais. "A instabilidade no Oriente Médio, especialmente no Iraque e na Arábia Saudita, também são fatores importantes."
Os especialistas têm chamado a atenção para o fato de que o problema se focaliza mais na capacidade de refino. "O problema não é o petróleo, há petróleo suficiente no mercado", garantiu o analista Jamal Qureshi, da consultoria PFC Energy.
O ministro de Petróleo da Arábia Saudita, o maior exportador do mundo, Ali Naimi, advertiu há poucos dias que os preços devem continuar subindo se a capacidade de refino não aumentar. "Se não tivermos refinarias, os preços vão subir até que alguém se dê conta de que precisamos de mais refinarias. Por isso, construam refinarias e mais refinarias", conclamou.
As previsões dos especialistas a respeito da demanda no quarto trimestre também são preocupantes e trazem dúvidas sobre se a produção da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e de outros países independentes vai ser suficiente para compensar o aumento do consumo.
A Agência Internacional de Energia (AIE) prevê que nos três últimos meses de 2005 a demanda global por petróleo chegará a 86,4 milhões de barris diários, frente aos 83,8 milhões do primeiro trimestre.
A Opep, por sua vez, informou há poucos dias que a demanda por seu petróleo chegará a 30,6 milhões de barris diários no quarto trimestre, 100 mil barris a mais do que tinha previsto há um mês.
Os especialistas reiteram que o cartel, que nesta semana aumentou em 500 mil barris por dia sua cota oficial, já produz cerca de 30 milhões de barris diários e que apenas a Arábia Saudita dispõe de capacidade ociosa para aumentar a oferta imediatamente.