Título: Brasil capta mais US$ 600 milhões
Autor: Renata Veríssimo
Fonte: O Estado de São Paulo, 21/06/2005, Economia, p. B4

País já conseguiu os US$ 6 bilhões necessários para compromissos do ano O governo brasileiro captou ontem US$ 600 milhões no mercado externo, com a emissão de títulos com vencimento em 2015. A operação foi considerada bem-sucedida graças às condições favoráveis no mercado externo e a despeito da crise que abala a política local. Com a operação de ontem, o Tesouro Nacional completou os US$ 6 bilhões que precisava obter este ano no mercado internacional para honrar seus compromissos externos.

Os papéis lançados ontem pelo Brasil foram vendidos com um custo de 7,87% ao ano, 363 pontos-base acima dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos com prazo de vencimento de 10 anos. Os papéis foram negociados com um ágio de 0,95%, garantindo aos compradores uma rentabilidade de 7,732% ao ano.

Em fevereiro, o governo já havia ofertado US$ 1 bilhão em Global 2015. Na época, o título foi negociado com um custo um pouco menor para o governo brasileiro, já que o spread ficou em 353 pontos-base. A rentabilidade para o investidor foi de 7,90% ao ano.

Na avaliação de um dos técnicos envolvidos na operação, a crise política interna não tem afetado a percepção dos investidores em relação ao Brasil. "As condições internacionais, a boa liquidez de mercado e uma menor aversão ao risco têm dominado o cenário político atual", disse. "Foi um ano positivo: os fundamentos econômicos são bons e o mercado externo, na maioria do tempo, esteve favorável, o que nos permitiu concluir de forma rápida o Plano Anual de Financiamento."

Mesmo com as condições favoráveis de mercado, o Tesouro decidiu não ultrapassar na operação de ontem o valor previsto de captação para este ano para evitar o excesso de papéis brasileiros, o que poderia derrubar o preço nas negociações posteriores entre os investidores privados.

"Estamos sendo prudentes nas nossas emissões para não agredir o mercado e não prejudicar o investidor que compra na emissão primária", disse a mesma fonte.

O governo acredita que experiências de operações de captação malsucedidas ocorridas este ano, como as da Turquia, das Filipinas e do Uruguai, estão ligadas ao volume grande de recursos da operação. "Dessa forma, cumprimos a meta deste ano para termos credibilidade, mas não machucamos o mercado", disse o técnico, lembrando o esforço do Tesouro para diversificar investidores.

Os recursos captados vão reforçar as reservas internacionais do País, uma espécie de poupança pública usada para o pagamento da dívida externa. Foram seis lançamentos de títulos no mercado internacional este ano, que, somados a outras duas emissões realizadas no último trimestre do ano passado, como antecipação de financiamento para 2005, permitiram o cumprimento da meta de captação de US$ 6 bilhões constante do Plano Anual de Financiamento.