Título: Tropas brasileiras da ONU matam seis no Haiti
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Fonte: O Estado de São Paulo, 30/06/2005, Internacional, p. A20
Militares brasileiros da Missão da ONU para a Estabilização do Haiti (Minustah) mataram ontem seis suspeitos de seqüestro durante uma blitz numa favela de Porto Príncipe na qual se abrigam gangues leais ao ex-presidente Jean-Bertrand Aristide. Segundo um porta-voz da força das Nações Unidas, o coronel brasileiro Jorge Schmidcelato, cerca de 300 soldados participaram da ação, que durou oito horas. Schmidcelato afirmou que outras 5 pessoas ficaram feridas e 13 suspeitos de crimes foram detidos e entregues à polícia haitiana. As tropas de paz não sofreram nenhuma baixa.
"Não é bom que pessoas tenham morrido, mas não tínhamos alternativa porque elas estavam disparando contra nós", afirmou Schmidcelato. "Elas possivelmente estavam envolvidas nos recentes seqüestros" em Porto Príncipe, acrescentou.
O porta-voz destacou que, durante a blitz na favela de Bel-Air, os soldados resgataram ilesa uma jovem identificada como Nadine Modé, que havia sido seqüestrada na terça-feira. Segundo uma emissora local, a Rádio Metrópole, Nadine é funcionária da Cruz Vermelha Haitiana. Schmidcelato disse que a refém foi encontrada amarrada e vendada. "Descobrimos vários locais utilizados para cativeiro", acrescentou o porta-voz.
A maior ofensiva das últimas semanas da Minustah contra as gangues foi lançada num momento em que a força de paz de 7.400 militares comandada pelo Brasil vem sendo criticada por autoridades haitianas e americanas, que a acusam de não agir decisivamente para pôr fim à violência. Na semana passada, o Conselho de Segurança da ONU concordou em enviar mais mil soldados e policiais ao Haiti para reforçar as tropas de paz.
Mais de 700 pessoas, incluindo pelo menos 40 policiais, já foram mortas no Haiti desde setembro, quando os partidários de Aristide intensificaram os chamados para que ele retorne do exílio na África do Sul. Entre os militares da missão da ONU, sete foram mortos desde o início da missão, em junho de 2004.
Aristide foi deposto numa revolta em fevereiro de 2004. Seus partidários acusam os "capacetes-azuis" das Nações Unidas de ignorar abusos cometidos pela polícia haitiana contra eles - citando execuções sumárias, prisões arbitrárias e espancamentos.