Título: PT controlava diretorias mais importantes, diz Marinho
Autor: Vannildo Mendes
Fonte: O Estado de São Paulo, 22/06/2005, Nacional, p. A13

Na CPI dos Correios, ele afirma que partido detinha o maior volume de recursos

Em seu depoimento na CPI dos Correios, o ex-diretor da estatal Maurício Marinho afirmou ontem à noite que o secretário-geral do PT, Sílvio Pereira, era o responsável pela indicação de nomes do partido para as diretorias de Operações e de Tecnologia, que detêm o maior volume de recursos da empresa. Ele também disse que foi usado como bode expiatório e que o objetivo da gravação em que aparece recebendo uma propina de R$ 3 mil não era apenas incriminá-lo. "As duas diretorias de área, a de Tecnologia e a de Operações, são ocupadas por funcionários de carreira, que, para nós, são ligados ao PT", disse Marinho. As sete diretorias dos Correios, segundo suas explicações, são ocupados por pessoas indicadas por partidos. Eduardo Medeiros (Tecnologia) e Maurício Coelho Madureira (Operações) fariam parte do cota do PT, tendo sido indicado por Sílvio Pereira. Na avaliação de Marinho, a gravação teria o objetivo de incriminar um partido político. "Acredito que tem mais coisa, que tem alguém por trás disso." O ex-diretor dos Correios acredita que o empresário Arthur Waschek não seria o único mandante da operação. Ele não disse, no entanto, quem estaria por trás de tudo, nem o nome do partido que seria o alvo da operação. Em suas entrevistas, o deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ) foi mais longe, dizendo que seria o PTB. Marinho inocentou Jefferson de envolvimento em um suposto esquema de corrupção nos Correios. "Falei demais, envolvi o nome de pessoas", disse. "Estou sendo colocado como bode expiatório por causa de uma gravação criminosa. Não pedi nem negociei projetos com arapongas. Não sou corrupto, nem pedi propina." Antes do depoimento de Marinho, os integrantes da CPI aprovaram 110 requerimentos para a convocação de envolvidos no suposto esquema de corrupção. Entre eles, o petista Sílvio Pereira e o publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza, cuja empresa tem contrato com a estatal. Outro que deve depor é Marcus Vinicius Vasconcelos Ferreira, genro de Jefferson. O presidente da CPI, senador Delcídio Amaral (PT-MS), marcou para quarta-feira, 29, o depoimento de Jefferson. Nesta primeira fase,o comando da CPI decidiu restringir os depoimentos a pessoas diretamente ligadas ao suposto esquema de corrupção. Entre os convocados aparece Mauro Dutra, amigo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e dono da empresa NovaData. Também irão depor funcionários da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) que acompanharam as denúncias. Os requerimentos para convocar Dirceu, o presidente do PT, José Genoino, o tesoureiro do PT, Delúbio Soares, e o ex-assessor da Casa Civil Waldomiro Diniz só serão analisados e votados após o desenrolar da primeira fase de investigações.