Título: IRB identifica operações 'atípicas'
Autor: Vannildo Mendes
Fonte: O Estado de São Paulo, 22/06/2005, Nacional, p. A13

Sindicância apurou crescimento incomum das operações de pelo menos duas corretoras

A Comissão de Sindicância do IRB - Instituto de Resseguros do Brasil - já identificou operações atípicas de pelo menos duas corretoras, a Acordia e a Alexander Forbes. Segundo um técnico do setor, as operações atípicas correspondem a volumes de repasses de resseguro no exterior "que não são comuns no passado". De janeiro a dezembro de 2004, a Acordia, representada no Brasil por Henrique Brandão, da corretora Assurê, foi responsável pela colocação de resseguros no exterior no montante de US$ 18,4 milhões, sendo a quinta no ranking do IRB. A Alexander Forbes colocou US$ 23,2 milhões, ficando na quarta colocação. Em 2002, antes da entrada na diretoria do IRB de indicados pelo PT, PTB, PMDB e PP, a Forbes colocou US$ 397 mil, ficando em 18º no ranking, e a Assurê não atuava em resseguros. Em 2003, a Forbes saltou para R$ 9,2 milhões, o que a colocou na décima posição do ranking. De 2002 para 2003, o salto foi de 2.217%. Em 2004, ela mais que dobrou o seu volume, atingindo os US$ 23,2 milhões. Já a Acordia só aparece no ranking do IRB em 2004, já na quinta posição. Brandão, amigo de longa data do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), é o pivô das denúncias de favorecimento na escolha de corretoras no IRB, e as estimativas são de que as colocações de resseguro que fez em 2003 renderam R$ 3,2 milhões em comissões de corretagem. Brandão também é amigo de Luiz Eduardo Pereira de Lucena, ex-diretor comercial do IRB, indicado pelo deputado José Janene (PP-PR). Segundo as denúncias, Lucena teria sido um dos responsáveis pelo favorecimento a Brandão. Anteontem, em entrevista ao Roda Viva, da TV Cultura, Jefferson declarou que Brandão fez contribuições ao PTB "por dentro" e "por fora". Segundo Marcos Lisboa, novo presidente do IRB, a comissão interna de sindicância tem poderes relativamente limitados de investigação, já que não pode convocar pessoas para depor, e se baseia principalmente em documentos. Na semana passada, Lisboa deu a entender que não se devia esperar conclusões muito contundentes da sindicância. Ele observou ainda que os "órgãos de Estado" como a Corregedoria-Geral da União, o Ministério Público e a Polícia Federal estão investigando as denúncias. A Acordia e a Alexander Forbes foram procuradas pelo Estado ontem. Na Acordia, a ligação não foi respondida. Na Alexander Forbes, um funcionário disse que os diretores já haviam saído e que procurariam o jornal, o que não ocorreu ontem.