Título: Petróleo abre oportunidade para a produção de etanol
Autor:
Fonte: O Estado de São Paulo, 27/06/2005, Economia & Negócios, p. B3

BASILÉIA - O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, acredita que o aumento dos preços internacionais do petróleo pode ser um risco para o crescimento do País, mas é uma "oportunidade histórica" para o incremento dos investimentos, produção e exportação de etanol do Brasil. "O País pode se firmar não apenas como produtor de grãos, mas também de energia." Meirelles participou ontem dos debates no Banco de Compensações Internacionais (BIS) sobre o cenário econômica mundial para 2005 e seus riscos, entre eles o petróleo. Segundo ele, pela primeira vez, os preços dos contratos futuros de petróleo mantêm os níveis elevados, o que indica uma estabilização em patamares altos. No final da semana passada, o petróleo atingiu um recorde de US$ 60 por barril. "À medida que os preços se mantenham altos, viabilizam-se os projetos de longa maturação para a bioenergia, onde o Brasil tem vantagem competitiva natural pela sua capacidade de produzir álcool ou biodiesel a partir de soja, babaçu e outros produtos", disse Meirelles.

Historicamente, lembrou, os projetos de desenvolvimento do etanol não eram viáveis por causa dos preços do petróleo. "Agora, os preços justificam os investimentos." Ele acredita que a produção brasileira de álcool pode aumentar ainda mais. "Precisamos enfatizar essa oportunidade que se abre."

Para Martin Redrado, presidente do BC argentino, com o preço do barril acima de US$ 40,00, se tornou "rentável" investir em novas alternativas energéticas. Ele afirma que, com o barril superando a marca de US$ 40, os efeitos sobre o crescimento de todos os países já são sentidos. "O petróleo pode provocar incerteza para os próximos anos. Há um consenso de que veremos um alto preço de petróleo por 2 ou 3 anos e coincidimos que as políticas antiinflacionária aplicadas em nossos países permitirão que não haja um efeito na taxa de inflação", disse o argentino.

Para Meirelles, a alta do preço do barril afeta o crescimento do País no curto prazo, já que encarece o preço da energia e de produtos que tem como matéria prima o petróleo. Ele acha prematuro falar sobre um possível impacto no PIB de 2005: "Isso depende de como a Petrobrás vai repassar o aumento", afirmou, lembrando que a estimativa para o crescimento é de 4%. Ele descartou qualquer tipo de intervenção nos preços da estatal petroleira: "É uma decisão soberana da Petrobrás que precisa ser administrada segundo os interesses de seus acionistas, da empresa e do País." J.C.