Título: Alencar quer deixar a Defesa para 'cuidar da vida'
Autor: Tânia Monteiro
Fonte: O Estado de São Paulo, 28/06/2005, Nacional, p. A11

Entre os 32 ministros do governo Lula, há 21 prováveis candidatos a mandatos nas eleições de 2006; oito que não trocam por nada seus cargos na administração; dois dos quais o presidente não abre mão, e um - o vice-presidente e ministro da Defesa José Alencar - que faz o que pode para sair da equipe do governo para, como gosta de dizer, "cuidar da vida". Ainda assim, deve ser mantido no cargo. Escolha pessoal de Lula para a Defesa depois da longa crise de desgaste com o ex-ministro José Viegas, Alencar assumiu há cerca de oito meses para o que esperava ser um curto período de interinidade. Não foi assim. Alencar não domina o assunto e tem projeto político próprio - gostaria de concorrer ao governo de Minas ou mesmo à Presidência. Segundo um antigo correligionário, Alencar quer aproveitar a reforma para deixar a pasta e está avaliando indicações a Lula.

Ele não gosta do nome mais citado, o de Aldo Rebelo (PC do B), ministro da Coordenação Política. Esta semana, o vice-presidente examinou as listas de componentes das comissões de Relações Exteriores e Defesa da Câmara e do Senado.

No Ministério da Defesa, onde se reunia regularmente para despachar com o presidente de seu partido, o PL, deputado Valdemar da Costa Neto, Alencar acumula fiascos. A missão militar no Haiti enfrenta dificuldades na linha de suprimentos. Questões operacionais têm sido decididas por diplomatas e sociólogos. A discussão salarial dos militares foi transferida para o Palácio do Planalto. Alencar não assiste aos jogos de guerra e falta a solenidades. Não há dinheiro. Fornecedores de todos os tipos tomam calote há meses. As obras civis de expansão da Calha Norte, na Amazônia, estão paradas.