Título: Grupo de Quércia rejeita ocupar mais cargos
Autor: Christiane Samarco, Cida Fontes
Fonte: O Estado de São Paulo, 28/06/2005, Nacional, p. A9

A executiva do PMDB em São Paulo recomendou ontem à direção nacional do partido que não aceite a oferta de ampliação de espaço no governo Lula e respeite a decisão tirada na convenção da sigla, em dezembro, de completo afastamento da administração federal. Sob o comando do ex-governador Orestes Quércia, a executiva também cobrou a "apuração total" das denúncias de corrupção e compra de apoio no Congresso, mas prometeu "abertura de diálogo" com o governo para a manutenção da governabilidade. "No quadro de hoje, não concordamos com a idéia de simplesmente indicar mais dois ministros, até porque o governo escolhe o ministro e depois diz que o partido escolheu", afirmou Quércia, para quem o presidente Lula "tem falhado muito" na interlocução com o PMDB - ouvindo somente a ala governista. Apenas agora, ressaltou o ex-governador, dois anos e meio após o início do governo, o presidente chamou para conversar o presidente do partido, Michel Temer (SP).

O próprio Quércia esteve no Planalto no início de abril. Depois de encontro de quase duas horas, a sós com Lula, o ex-governador disse que o PMDB poderia "se unir mais no apoio ao governo". Àquela época, já se falava em novos ministérios, mas nada avançou. Agora, o PMDB paulista está muito mais próximo do governo Geraldo Alckmin. A bancada do partido na Assembléia Legislativa tem atuado ao lado da base governista. Há cerca de quinze dias, Alckmin e Quércia encontraram-se. O PMDB aguarda um convite para integrar o secretariado. Em conversas reservadas, o ex-governador deixa claro ser mais fácil uma aliança com o PSDB em 2006 do que com o PT. Ele gostaria de ser candidato ao Senado.

Depende da Justiça a validade do resultado da convenção de dezembro, que determinou o afastamento do governo. Para Quércia, apenas uma nova convenção poderia alterar essa decisão. Mas ele não recomendou a iniciativa. Segundo ele, os diretórios do PMDB de MG, PR, PE, SC, RS e RJ já se manifestaram contra a ampliação do espaço no governo federal.