Título: Juro alto não afetou intenção de investir
Autor: Jacqueline Farid
Fonte: O Estado de São Paulo, 08/07/2005, Economia & Negócios, p. B1
A intenção de investir parece não ter sido afetada, pelo menos por enquanto, pela manutenção dos juros em níveis elevados e mais recentemente pela crise política. No primeiro semestre, os investimentos anunciados por empresas nacionais e estrangeiras somaram US$ 54,4 bilhões, 7,5% mais do que no mesmo período de 2004. Também na comparação com o segundo semestre do ano passado, período no qual o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) começou a elevar a taxa de juros (em setembro), o total de investimentos anunciados no primeiro semestre cresceu 5%. Os números são da consultoria Simonsen Associados, que consolida os investimentos produtivos anunciados na imprensa.
"Os números mostram que ainda não ocorreu uma freada no investimento", diz a sócia-diretora da consultoria e responsável pela pesquisa, Maria Angela Conrado. Ela pondera que o impacto poderá ser sentido a médio prazo.
De todo modo, quando se tornam públicos,os investimentos já estão em andamento, com máquinas e outros equipamentos encomendados, diz a consultora. "Eles só param quando está muito no começo. Também não é economicamente viável interromper investimentos de peso por causa de turbulências políticas."
A experiência mostra que os investimentos anunciados hoje vão entrar em produção dentro de dois anos e o índice de quebra nos projetos anunciados oscila entre 5% e 8%, diz Maria Angela. Neste caso, os projetos anunciados no primeiro semestre devem maturar em 2007, já no próximo governo.
Se a economia continuar blindada em relação às turbulências políticas recentes, a consultora acredita que o ano deve fechar com investimentos anunciados entre US$ 100 bilhões e US$ 105 bilhões, repetindo a cifra de 2004, que foi de US$ 102,4 bilhões. O pico da série histórica dos investimentos ocorreu em 2000, no auge das privatizações, quando foram anunciados US$ 264,7 bilhões.
A pesquisa mostra que os investimentos anunciados este ano continuam concentrados. No primeiro semestre, cerca de 8% dos anúncios equivaliam a quase 80% dos investimentos, praticamente a mesma proporção de igual período de 2004.
Entre os cinco setores prioritários na intenção de investimentos, o de extração de petróleo e gás e a indústria de metal primário estão na liderança e na vice-liderança, respectivamente. A posição no ranking ficou inalterada em relação ao primeiro semestre de 2004.
No primeiro semestre deste ano, os investimentos anunciados na extração de petróleo e gás somaram US$ 11,6 bilhões ou 21,4% do total. Na indústria de metal primário, o total anunciado foi de US$ 7,7 bilhões ou 14,3%. O setor de energia, serviços de eletricidade e gás, que ocupava a quarta posição em 2004, subiu para o terceiro lugar, com US$ 7,1 bilhões.