Título: Rondeau descarta apagão até 2010
Autor: Gerusa Marques
Fonte: O Estado de São Paulo, 13/07/2005, Economia & Negócios, p. B5

Rondeau assume, declara-se tranqüilo em relação ao preço do petróleo e diz que será mantido o cronograma de leilões de energia deste ano

BRASÍLIA - O novo ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, descartou ontem qualquer possibilidade de desabastecimento de energia até 2010. Ele garantiu que está mantido o cronograma de leilões de energia deste ano, inclusive a produzida por novas usinas, previsto para dezembro. Rondeau também mostrou tranqüilidade em relação à alta nos preços internacionais do petróleo, dizendo que não há "aflição" neste momento. "O mercado pode ficar tranqüilo, porque a situação está absolutamente sob controle", assegurou, ao ser questionado sobre uma crise de energia. "Não há motivo de preocupação de desabastecimento até 2010. Minha posição é de absoluta tranqüilidade."

Para assegurar o fornecimento, o ministério vai realizar neste ano dois leilões de energia velha (de usinas que já estão em funcionamento) e o primeiro leilão de energia nova, para atender ao mercado em 2008, 2009 e 2010. Ele não revelou a quantidade de energia a ser ofertada, mas garantiu que, até setembro, as licenças ambientais dessas usinas estarão liberadas.

Sobre a alta do preço do petróleo no mercado internacional, o ministro afirmou que a Petrobrás dispõe de uma metodologia para analisar essas oscilações de preços e que, "neste momento, não há a menor aflição". Rondeau disse ainda que está mantido o cronograma de implantação do Gasoduto do Nordeste, que deve entrar em operação em 2007.

Para este setor, o ministério prepara novas regras de transporte e comercialização, que serão enviadas ao Congresso em 90 dias na proposta de Lei do Gás. Outra prioridade será a área de mineração, que, segundo Rondeau, precisa passar por um processo de modernização.

Sobre a política de energia nuclear, sobre a retomada ou não das obras da usina de Angra III, Rondeau disse que a questão é conduzida que envolve a discussão no âmbito do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), envolvendo vários ministérios. Minas e Energia e do Ambiente já apresentaram votos contra a retomada das obras de Angra, defendida pelo ministro demissionário de Ciência e Tecnologia, Eduardo Campos (PSB). O ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu disse que apresentaria parecer também favorável ao empreendimento, mas não chegou a fazê-lo.

Faltam ainda os votos da Casa Civil, dos ministérios da Fazenda e do Planejamento e dos representantes dos secretários estaduais e das universidades. Ainda não está marcada a data da próxima reunião do CNPE.

Na próxima semana deverão ser anunciados nomes para cargos de direção em empresas estatais ligadas ao ministério, como a Petrobrás e a Eletronorte. Segundo ele, as indicações seguirão critérios técnicos, acompanhados de uma variante política. Não serão necessariamente nomes do PMDB, partido que o indicou, mas da base aliada do governo.