Título: Prestígio de Lula se mantém, mas 39% acham que ele está ligado a corrupção
Autor: Gabriel Manzano Filho
Fonte: O Estado de São Paulo, 20/07/2005, Nacional, p. A14
Cinco semanas seguidas de denúncias contra o PT e o governo não abalaram a imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas deixaram as primeiras marcas em seu prestígio político. Quem o diz é o Ibope, que divulgou ontem nova pesquisa onde se constata que, embora a avaliação positiva do governo se mostre estável (subiu de 35% em junho para 36% agora), chegam a 39% os eleitores para os quais o presidente está totalmente ou um pouco envolvido nas operações de pagamento a parlamentares. São 47% os que não crêem nesse envolvimento. A pesquisa, divulgada ontem, foi a primeira a medir, em detalhes, o impacto das denúncias feitas pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) há cinco semanas. Ela traz tanto revelações boas como preocupantes para o Planalto. Algumas boas: a nota do governo continua sendo 6, como em junho, quando o Ibope fez outro levantamento, para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), e Lula continua sólido na escolha do eleitorado para a eleição de 2006.
As ruins: chegam a 42% os eleitores que dizem não mais confiar nele (eram 38% em junho). Esse mesmo índice, 42%, é o dos que acham que ele corre risco de perder o mandato. Mas 48% não acreditam nessa hipótese. Metade dos eleitores ouvidos acredita que a imagem do presidente Lula não mudou após os últimos acontecimentos, enquanto 29% acham que ela mudou para pior e 17% acreditam que foi para melhor.
A blindagem do presidente contra as denúncias, embora imperfeita, deu algum resultado: se 39% acham que está ligado aos escândalos, esse índice sobe para 76% para o ex-ministro José Dirceu, 77% para o ex-tesoureiro Delúbio Soares e 82% para Roberto Jefferson. Quanto à Câmara dos Deputados, em seu conjunto, 64% acham que ela está "totalmente ou um pouco envolvida".
ELEIÇÃO
A perspectiva de reeleição no ano que vem continua boa para Lula e o prefeito de São Paulo, o tucano José Serra, continua sendo seu rival mais perigoso. Numa das simulações sobre a disputa, Lula bate o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ou o governador Geraldo Alckmin, ambos tucanos, pela mesma diferença, 39% a 13%. Quando o rival é Serra, Lula vence por 36% a 22%.
O dado importante, nesta tabela, é que o candidato Anthony Garotinho (PMDB-RJ) empata no segundo lugar, tanto com FHC quanto com Alckmin, nos mesmos 13%, embora caia para 12% quando o candidato tucano é Serra. No entanto, é cedo para levar esses números a sério: 64% dos eleitores não escolheram ou indicaram nulo ou em branco na pesquisa espontânea, onde Lula aparece com 22% e Serra com 6%.
A percepção da sociedade quanto aos problemas do governo e do PT com a denúncia sobre o suposto mensalão é maior do que muitos esperavam. Para 47% dos entrevistados, as denúncias sobre corrupção são totalmente verdadeiras, enquanto 38% crêem que as denúncias são mais verdadeiras que falsas - o que significa que 85% dos consultados vêem algum fundo de verdade nas denúncias.
O deputado Roberto Jefferson encabeça a lista dos principais envolvidos com o mensalão, segundo 82% dos entrevistados. Em seguida, aparecem Delúbio Soares (77%), José Dirceu (76%), a maioria dos deputados do PTB (75%), os deputados do PL (70%) ou os do PP (64%). Para 65%, Jefferson deveria ser cassado. O índice chega a 80% entre os eleitores com instrução de nível superior e os de renda mais alta.
REFORMA POLÍTICA
O financiamento público das campanhas é aprovado por 48% dos consultados, mas 42% lhe são contrários. As listas fechadas apresentadas pelos partidos são rejeitadas pela imensa maioria - 83% dos eleitores continuam preferindo escolher eles próprios o candidato ou votar apenas na legenda. O Ibope ouviu 2.002 pessoas de 143 cidades, entre os dias 14 e 17. A margem de erro é de 2,2 pontos.