Título: Mercado eleva projeções para saldo comercial de 2005
Autor: Denise Chrispim Marin
Fonte: O Estado de São Paulo, 02/08/2005, Economia & Negócios, p. B1

Muitos analistas elevaram suas previsões de exportações e saldo comercial para este ano. Ainda que o resultado de julho tenha sido atípico - o ajuste estatístico das exportações de petróleo inflou os números -, economistas afirmam que as vendas externas vão ficar acima do esperado por causa de fatores estruturais. O Banco JP Morgan alterou ontem suas projeções, elevando o saldo previsto de US$ 38 bilhões para US$ 41 bilhões. Segundo Julio Callegari, economista do JP Morgan, a média diária de exportações cresceu 28,9% em julho no dado dessazonalizado (excluídas variações sazonais) na comparação com o mesmo mês no ano passado. Se não forem consideradas as exportações de petróleo, o crescimento foi de 20%.

Segundo ele, mais de metade do aumento de 20% na média diária de exportações deve-se à alta de preços, tanto de commodities como de manufaturados. Para Callegari, não haverá tempo para a valorização do real comprometer as exportações este ano.

A Tendências Consultoria Integrada também alterou suas previsões para a balança comercial, no mês passado. A consultoria elevou sua estimativa de superávit comercial de US$ 33,9 bilhões para US$ 37 bilhões.

Segundo Guilherme Loureiro, analista da Tendências, o dólar baixo está demorando para prejudicar as exportações porque o crescimento mundial é uma influência mais forte sobre as vendas externas do que o câmbio. "E a Argentina, os EUA e a China estão crescendo mais que o esperado", disse.

Fábio Silveira, sócio da MS Consult, aponta para a alta dos preços das commodities. O índice geral de preços de commodities está 17% acima do ano passado. Em relação à média de 2002, o primeiro ano do governo Lula, o índice subiu 70%.

Segundo ele, muitos exportadores estão compensando a queda de rentabilidade das exportações com aplicações no mercado financeiro. Como os juros continuam muito altos, os exportadores pegam adiantamentos de contratos de câmbio, usam uma parte para financiar a produção e aplicam o resto.

A LCA Consultores trabalhava com um superávit de US$ 40 bilhões para a balança este ano. "Teremos que elevar nossa projeção, nem que seja apenas para incorporar essa diferença de mais de US$ 1 bilhão no resultado de julho", disse o economista Carlos Urso, da LCA.

Para ele, como a economia mundial continua crescendo, os exportadores têm conseguido driblar a apreciação cambial com preços mais fortes. "Até setores como o calçadista e o automotivo, que até há pouco tempo reclamavam, estão conseguindo colocar seus produtos a preços melhores."