Título: CPI deve convocar ex-ministro para depor
Autor: Rosa Costa
Fonte: O Estado de São Paulo, 02/08/2005, Nacional, p. A4
A CPI dos Correios deve votar hoje os requerimentos convocando para depor dois ex-ministros do presidente Luiz Inácio Lula da Silva: o ex-chefe da Casa Civil José Dirceu e o ex-secretário de Comunicação Luiz Gushiken. Também serão convocados o ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato e o assessor do deputado José Janene (PP-PR), João Cláudio Genu, que recebeu R$ 1,6 milhão das empresas do publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza. Os integrantes da comissão devem, ainda, aprovar requerimentos para convocar o controlador do Opportunitty, Daniel Dantas, e também para investigar o fundo de pensão das estatais. No caso do pedido envolvendo Dirceu, integrantes da CPI acreditam que há muitas questões a responder, depois da descoberta dos contatos feitos por ele com o empresário Marcos Valério pedindo ajuda para uma de sua ex-mulheres, Angela Saragoça.
No caso dos fundos de pensão, o relator da CPI, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), defende a restrição da quebra do sigilo aos fundos que fizeram aplicação nos bancos Rural e BMG. Já a senadora Heloisa Helena (PSol-AL) avisou que vai insistir na aprovação do requerimento em que pede a relação de todas as aplicações feitas pelos fundos das estatais.
Segundo ela, há indícios relevantes de que essas aplicações serviram, na verdade, para compensar e retribuir os empréstimos feitos pelo PT com o aval ou em nome de Marcos Valério.
A CPI dos Correios pediu a ajuda da Polícia Federal para identificar quem é o "Marques" e três outras pessoas a quem a diretora financeira da empresa, Simone Vasconcelos, deveria entregar, em outubro de 2003, o dinheiro de dois saques no valor de R$ 650 mil feitos na agência do Banco Rural, em Brasília. Há suspeita de tratar-se de Roberto Marques, amigo e auxiliar do ex-ministro José Dirceu.
FAX
De acordo com o relator Osmar Serraglio, o fax avisando que Simone deveria ter esse dinheiro em mãos e os nomes dos favorecidos foi transmitido pela funcionária da SMPB ao gerente do banco. Ela pede que ele providencie duas retiradas, de R$ 300 mil e R$350 mil, "para serem entregues ao senhores Marques, Joseval, Magella e Emanoel". O relator acredita que a polícia conseguirá identificar os quatro beneficiados.
Serraglio acha prematuro dizer se o Magella citado é o ex-deputado petista Geraldo Magella, que hoje preside o Banco Popular. O relator também quer que o fax passe por uma perícia para checar sua autenticidade. "Toda cautela é pouca quando se sabe que há interesses em criar dificuldades para a CPI", justificou. "Precisamos comprovar que não se trata de um papel recém-improvisado."