Título: DirecTV faz planos para depois da fusão com a Sky
Autor: Renato Cruz, Graziella Valenti
Fonte: O Estado de São Paulo, 03/08/2005, Economia & Negócios, p. B12
Concorrentes criticam negócio, que ainda precisa ser aprovado pelas autoridades brasileiras, por causa de conteúdo exclusivo e monopólio em algumas cidades
A DirecTV espera que as autoridades brasileiras aprovem sua fusão com a Sky ainda este ano. A fusão entre as empresas, que pertencem à News Corp., do magnata australiano Rupert Murdoch, foi anunciada em outubro de 2004 e efetivada nos Estados Unidos e nos países latino-americanos, com exceção do Brasil. "É claro que acreditamos que a fusão será aprovada", afirmou Bruce Churchill, presidente da DirecTV Latin America, que participou ontem do evento ABTA 2005. Ele quer migrar os 455 mil assinantes brasileiros da DirecTV para a Sky durante o próximo ano, a um custo entre US$ 50 milhões e US$ 75 milhões. Mas não deve ser fácil aprovar a fusão. Os concorrentes apontam uma série de problemas. Segundo documentação enviada à Securities and Exchange Commission (SEC), autoridade do mercado acionário nos Estados Unidos, as Organizações Globo, acionista minoritário no grupo de TV paga via satélite, têm direito a veto na entrada de novos canais nacionais da empresa que surgirá da fusão. Impedido de oferecer seus canais pagos aos assinantes das empresas, o Grupo Bandeirantes se habilitou como terceira parte no processo de fusão entre a Sky e a DirecTV, com direito de contestar as informações apresentadas. Juntas, as empresas terão 95% do mercado de TV paga via satélite, com 1,28 milhão de assinantes. Churchill reconheceu que o satélite é a única opção para cerca de 20% da população brasileira.
A Sky busca limpar o caminho para a fusão. Ontem, a empresa anunciou que, a partir da próxima segunda-feira, passará a distribuir o TerraViva, canal da Bandeirantes que trata de agronegócios. Paulo Saad Jafet, vice-presidente do Grupo Bandeirantes, ressaltou, porém, que isto não significa o fim da contestação das fusões que envolvem as empresas das Organizações Globo. "O cabo e o DTH (TV paga por satélite) não estão contemplando o conteúdo nacional. O fim das pendências depende da dinâmica da evolução dos negócios. Neste momento, não dá para dizer se vão acabar ou continuar."
O Grupo Bandeirantes questiona também a venda de participação na Net pela mexicana Telmex, dona da Embratel. Sobre a evolução dos negócios, o diretor-executivo da Net Brasil, Fernando Ramos, afirmou que os canais da Bandeirantes, que incluem o BandNews e o BandSports, serão oferecidos para os operadores de cabo da Net.
Paralelamente à análise da fusão Sky e DirecTV, corre desde maio 2001, na Secretaria de Direito Econômico (SDE), do Ministério da Justiça, um processo contra a exclusividade do canal SporTV, das Organizações Globo, aos jogos do Campeonato Brasileiro de Futebol. Somente o sistema Net/Sky tem acesso ao canal. "Tecnicamente, não há como aprovar a fusão das empresas sem restrições", afirmou Neusa Risette, diretora-geral da Associação NeoTV, que reúne as empresas que não fazem parte do sistema Net. Ela lembrou que, nos Estados Unidos, foi exigido o fim da exclusividade de programação.
Ontem, o presidente da Anatel, Elifas Gurgel do Amaral, disse que a agência deve enviar até setembro um relatório ao Cade a respeito da fusão. O secretário de audiovisual do Ministério da Cultura, Orlando Senna, defendeu que a análise leve em consideração os riscos de monopólio, principalmente, em relação ao conteúdo.