Título: Aumento das reservas comerciais nos EUA derruba preços do barril
Autor:
Fonte: O Estado de São Paulo, 04/08/2005, Economia & Negócios, p. B8
Os preços do petróleo bateram novo recorde durante o pregão de ontem, mas caíram após o Departamento de Energia dos Estados Unidos ter informado que as reservas comerciais do produto estão melhores do que se pensava. Na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex), os contratos de petróleo para setembro fecharam em US$ 60,86, recuo de (1,66%). A máxima do dia foi US$ 62,50, um novo recorde intraday.
Em Londres, na Bolsa Internacional de Petróleo (IPE), os contratos de petróleo tipo Brent para setembro fecharam em US$ 59,65 o barril, queda de 1,6%.
À tarde, o Departamento de Energia dos Estados Unidos informou que os estoques comerciais de petróleo cresceram em 200 mil barris na semana passada, para 318 milhões de barris, refletindo um aumento nas importações de quase 11 milhões de barris/dia. Os analistas estavam esperando um declínio dos estoques de 1 milhão a 2 milhões de barris.
O departamento também divulgou que os estoques de destilados - que inclui óleo para calefação e óleo diesel - cresceram pela 11.ª semana consecutiva, em 1,5 milhão de barris para 127,3 milhões de barris.
Os estoques de gasolina diminuíram acima das expectativas em 4 milhões de barris, para 205,2 milhões de barris. Os dados, considerados no geral como de urso (tendência de baixa), levaram a uma liquidação nos futuros de petróleo bruto e óleo para aquecimento, enquanto os futuros de gasolina caíram apenas modestamente.
Um estrategista técnico da corretora United Energy, Walter Zimmerman, disse que o fraco desempenho do mercado provavelmente levará a vendas adicionais. "Por enquanto, parece que o movimento está na direção de vendas maiores. O mercado precisa recuar antes de poder fazer qualquer coisa", afirmou.
O cenário de fundamentos não mudou, embora o aumento dos estoques de destilados tenha aliviado as preocupações relacionadas com a oferta dos combustíveis de inverno, uma queda na produção das refinarias pôs em evidência a questão da habilidade da indústria de produzir combustível suficiente para atender ao aumento da demanda no segundo semestre.
"Este permanece sendo um mercado muito, muito nervoso", disse o presidente da assessoria Cameron Hanover em New Canaan (Connecticut), Peter Beuterl. "Nós ainda temos dúvidas sobre a oferta com a produção de produtos refinados em baixa."