Título: SP teve dois assaltos semelhantes
Autor: Carmen Pompeu
Fonte: O Estado de São Paulo, 09/08/2005, Metrópole, p. C1
A ação dos ladrões no Banco Central de Fortaleza é muito semelhante ao modo de agir da quadrilha liderada pelo ladrão Moisés Teixeira da Silva, o Cabelo, responsável por dois roubos milionários ocorridos em São Paulo no ano em 2004. Mal se tornaram públicos os detalhes do crime no Ceará e homens de dois departamentos da Polícia Civil paulista já desconfiavam da participação de alguém ligado a Cabelo e seu bando no grande golpe descoberto ontem no Nordeste. Os dois roubos que se assemelham e muito ao praticado no Ceará foram às caixas-fortes das transportadoras de valores Rodoban e Transbank. Em ambos, os ladrões alugaram ou compraram casas perto do alvo, a partir de onde cavaram uma passagem que lhes permitissem entrar no lugar.
No caso da Transbank, na Penha, zona leste de São Paulo, o bando levou R$ 4,7 milhões. A quadrilha trabalhou durante quatro meses antes de chegar à caixa-forte em 11 de outubro de 2004. O túnel tinha ventilação, iluminação e foi cavado por meio de medições topográficas que permitiram um cálculo perfeito de distância e direção. A obra foi feita a uma profundidade de 3 metros e tinha 110 metros de extensão - esquema semelhante foi usado na construção do túnel que levou o bando ao Banco Central.
Na empresa Rodoban, atacada no dia 11 de maio de 2004, os ladrões roubaram R$ 8 milhões. Eles fizeram um buraco na parede da casa alugada e saíram direto numa laje da empresa, na Lapa, zona oeste.
Em ambos os casos, a polícia encontrou ferramentas abandonadas no interior das casas alugadas, assim como no imóvel usado pela quadrilha que invadiu o Banco Central de Fortaleza. Como no Ceará, os criminosos também burlaram os sensores eletrônicos que existiam nas caixa-fortes.
A diferença é que dentro das caixa-fortes da Transbank e da Rodoban havia vigias, que foram dominados pelos ladrões, armados com fuzis. Como no caso de Fortaleza, não havia seguranças no cofre do Banco Central, os bandidos cometeram um furto qualificado, cuja pena é de 1 a 4 anos de prisão.
As investigações da polícia de São Paulo apontaram para Cabelo como o homem que liderou o roubo na Transbank. No inquérito de 20 volumes do caso, feito pela 5ª Delegacia Seccional de São Paulo, nove acusados foram indiciados e três estão presos: Idalmir dos Santos brito, Nedinália Barbosa de Oliveira e Ângela Maria Januária.
Todos os outros acusados estão soltos, inclusive Cabelo. A polícia tem escutas telefônicas, reconhecimento e dois volumes de laudos com provas contra os nove indiciados no inquérito sobre o assalto.
Condenado a 25 anos por roubo, o ladrão está foragido desde 8 de julho de 2001 quando fugiu do Pavilhão 8 da Casa de Detenção de São Paulo, onde estava desde 6 de abril de 2000. Ao todo, 105 presos escaparam da prisão por meio de um túnel que foi batizado pelos criminosos como Corinthians-Itaquera. Cabelo era ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).