Título: Opep deve lucrar 35% mais
Autor: João Caminoto, Luciana Xavier
Fonte: O Estado de São Paulo, 12/08/2005, Economia & Negócios, p. B6

Com alta do petróleo, organização receberá US$ 560 bilhões

PARIS - Com o petróleo futuro oscilando entre US$ 60 e US$ 65, os membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) esperam arrecadar US$ 560 bilhões em 2005, 35% a mais do que em 2004. Essa cifra leva em conta a evolução do preço do barril desde o início do ano e está baseada na hipótese de que ela se mantenha nesse nível até dezembro. São 11 os países da Opep que deverão tirar maior vantagem dessa situação. Só os países do Golfo Pérsico vão receber US$ 345 bilhões. Se somados dois outros pequenos produtores, Bahrein e Omã, ambos também do Golfo, a cifra atinge US$ 373 bilhões. Nigéria, Venezuela e Argélia serão outros beneficiados. O problema maior é saber como esse dinheiro, de certa forma inesperado, poderá ser empregado por alguns países, como a Arábia Saudita (maior produtora mundial). Isoladamente, o país deverá arrecadar uma soma suplementar de US$ 130 bilhões. Isso explica o enorme interesse, entre os dirigentes dos países importadores do petróleo saudita, de enviar representantes à cerimônia oficial de coração do rei Abdalla, sucessor do rei Fahd, recentemente falecido.

O aumento das reservas de divisas dos membros da Opep permitirá um crescimento considerável de seus PIBs, em média de 6%.

A Venezuela, por exemplo, cujas receitas poderão passar de US$ 39 bilhões para US$ 50 bilhões, procura reforçar seu relacionamento com os vizinhos latino-americanos, para ajudá-la a enfrentar as pressões políticas cada vez mais duras por parte dos Estados Unidos. Caracas já adquiriu recentemente US$ 500 milhões da dívida pública argentina e está disposta a fazer o mesmo com Colômbia, Equador, Uruguai e com o próprio Brasil. Oficialmente, o objetivo do presidente Hugo Chávez é o de "favorecer a aceleração da integração econômica e política do continente latino-americano".

Do ponto de vista das empresas, as européias poderão tirar melhor proveito dessa evolução. As empresas da zona do euro constataram um crescimento importante de suas participações de mercado nos países da Opep, passando de 24,8 % em 2001 para 27,1% em 2004.

Nos últimos tempos, os países do Golfo voltaram a investir em infra- estrutura, principalmente na área do petróleo, provocando uma forte retomada das importações, mas agindo com maior prudência do que no passado. Além do euro que seduz os países produtores pela diversificação das reservas cambiais em detrimento do dólar, esse fluxo de liquidez serve como um "dopping" junto às sete principais praças financeiras do Golfo, um crescimento do volume de transações de 76% nos últimos 6 meses. Em 5 anos, a capitalização total passou de US$ 119 bilhões para mais de US$ 980 bilhões.