Título: Lucro do Unibanco cresce 47% no primeiro semestre
Autor: Patrícia Campos Mello
Fonte: O Estado de São Paulo, 12/08/2005, Economia & Negócios, p. B4

Resultado de R$ 854 milhões deve-se principalmente ao aumento de empréstimos a pessoas físicas e jurídicas

O Unibanco encerrou o primeiro semestre com lucro de R$ 854 milhões, um crescimento de 47% em relação ao primeiro semestre do ano passado. No segundo trimestre, o banco teve lucro líquido de R$ 453 milhões, aumento de 48,5%. O crescimento deve-se principalmente ao aumento nas atividades de crédito - a carteira do banco evoluiu 6% no segundo trimestre, com alta de 9,5% nos empréstimos a pessoas físicas e 3,9% a pessoas jurídicas. Segundo o vice-presidente corporativo, Geraldo Travaglia, o aumento na captação de depósitos a baixos custos, a expansão da carteira de crédito e a alta da taxa de juros, a Selic, colaboraram para o crescimento do lucro do banco. Travaglia afirma que o Unibanco está se concentrando em operações de crédito que têm margens maiores, para pessoas físicas, pequenas e médias empresas.

Em 30 de junho de 2005, o total das operações de crédito para pessoa física atingiu R$ 13,4 bilhões, um crescimento de 33,8% nos últimos 12 meses. Já a carteira de crédito para pessoa jurídica evoluiu 14,3% nos últimos 12 meses, impulsionada pelo crescimento da carteira de médias e pequenas empresas, de 37,4%.

Segundo Erivelto Rodrigues, presidente da agência de classificação de risco Austin Rating, a estratégia de se concentrar em crédito para pessoa física, pequenas e médias empresas é acertada. "Esses segmentos têm maior potencial de crescimento e spread maior", diz Rodrigues. "O pulo do gato é saber conceder esse crédito mais arriscado, avaliando bem as garantias reais, para não ter uma explosão na inadimplência."

Para pessoa física, a inadimplência deveria se manter abaixo de 8% e, para pessoa jurídica, abaixo de 6%. No Unibanco, a taxa de inadimplência para a carteira total ficou em 5% no segundo trimestre. Segundo Travaglia, a inadimplência está "bem comportada".

Mas, apesar do crescimento robusto, o Unibanco ainda se mantém atrás do Bradesco (R$ 1,416 bilhão no primeiro semestre) e Itaú (R$ 1,334 bilhão). O Unibanco teve retorno sobre patrimônio líquido de 23% no segundo trimestre. De acordo com Erivelto Rodrigues, presidente da agência de classificação de risco Austin Rating, a rentabilidade do Unibanco ainda é bem inferior à do Itaú e Bradesco, que ficou acima de 30%. "Mas está acima da rentabilidade histórica do Unibanco, que era de cerca de 17%", diz Rodrigues. Os ativos totais consolidados do Unibanco atingiram R$ 82.992 milhões.