Título: Tarso sofre nova derrota para grupo de Dirceu
Autor: Vera Rosa e Mariana Caetano
Fonte: O Estado de São Paulo, 17/08/2005, Nacional, p. A9

BRASÍLIA - O presidente do PT, Tarso Genro, sofreu nova derrota. Em reunião ontem à noite, a Executiva Nacional do partido rejeitou a proposta feita pela esquerda petista - e apoiada por Tarso - de submeter à Comissão de Ética os deputados José Dirceu (SP), ex-chefe da Casa Civil, João Paulo Cunha (SP), ex-presidente da Câmara, Paulo Rocha (PA), Professor Luizinho (SP), João Magno (MG), José Mentor (SP) e Josias Gomes (BA). Na resolução aprovada, o PT pede "desculpas à Nação". "Os atos que nos comprometem, moral e politicamente, perante os brasileiros, foram cometidos por dirigentes do PT, que certamente simularam estar investidos de representação de nossas instâncias", diz a resolução que recebeu sinal verde da Executiva. No lugar da Comissão de Ética, porém, a cúpula petista aprovou ontem uma Comissão de Sindicância para "ouvir" as explicações de todos os denunciados de envolvimento no esquema do mensalão. Traduzindo: até a reunião do Diretório Nacional, marcada para 3 de setembro, não está prevista nenhuma punição.

Além disso, o secretário de Relações Internacionais do PT, Paulo Ferreira - ligado a Dirceu e ao ex-tesoureiro Delúbio Soares - conseguiu aprovar sua proposta para criar outra comissão de sindicância, desta vez para investigar o financiamento de campanhas do PT desde 1998. Não sem motivo: de acordo com levantamento do Campo Majoritário - o grupo que controla 60% dos cargos de direção no PT -, as campanhas de vários petistas das facções de esquerda receberam recursos de caixa 2.

Foram 9 votos contra submeter os deputados citados pela CPI dos Correios a um processo disciplinar no partido, 6 a favor e uma abstenção. Apesar do placar, Tarso disse que não enfrenta dificuldades no partido. "Temos formas de abordar as questões de maneiras diferentes, mas isso é natural", amenizou. Na resolução há ainda estocada na política econômica de Lula. "É hora de combinar estabilidade com crescimento e distribuição de renda. (...) Não se trata de uma polêmica entre "esquerda" e "direita", mas de cumprimento efetivo, ou não, das funções públicas do Estado", diz o documento.